segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

PostHeaderIcon Um convidado bem trapalhão: etiqueta reduzida a espuma (homenagem a Blake Edwards, recentemente falecido)








Por acaso o nome Blake Edwards vos diz alguma coisa? Remete-lhes a algo? Confesso que a mim não, porém, como as vezes a imprensa serve para algo que não seja espalhar a demagogia, com o recente falecimento do dito cujo (em 15/12/2010), fui informado de quem ele foi. Entre os filmes por ele dirigidos, o único que me disse algo fora justamente aquele(s) no qual um mal-entendido fez-me perder a paciência quando guri: “A pantera cor-de-rosa”. Explico: trata-se duma série de filmes nos quais o famoso felino expresso em desenho animado aparece tão somente na abertura; eu, em minha ignorância infantil (estimulada pelo fato de que talvez o desenho meramente ilustrativo, ao ganhar vida própria – um desenho animado na TV - tenha-se tornando mais popular que os filmes que lhe deram origem), assisti a um dos filmes da série (não sei qual, talvez o primeiro), esperando ver o célebre felino animado; ao constatar, logo de início, não tratar-se duma animação, mas de filmes com atores reais, imaginei tratar-se de um híbrido entre cinema real, convencional, ou seja lá como queiram chamar, e animação, tal qual o longa “Uma cilada para Roger Rabbit” (1988). Porém, minha espera pelo aparecimento do felino rosado se mostrou vã, e, certa feita, desliguei o televisor, derrotado pelo enfado. Acontece que a pantera cor-de-rosa do título não era o felino rosado, mas um diamante roubado, de modo que o enredo da série nada tem a ver com o personagem do desenho animado, exceto o fato de sua “ponta” na abertura do longa ter-lhe aberto o caminho para o estrelato na televisão.

Voltando a Blake Edwards, embora tenha se celebrizado nas comedias, o cineasta foi versátil, tendo dirigido também dramas, musicais, faroestes e suspense. Entre seus filmes mais celebrados estão “Bonequinha de luxo” (1961), adaptação “suavizada” do romance de Truman Capote, que tornou Audrey Heppburn em estrela, tendo celebrizado ainda a canção “Moon River” (de Henry Mancini). Embora não só Edwards como também Jack Lemmon (seu ator favorito) tenham feito fama na comedia, a parceria dos dois no drama sobre alcoolismo “Vício maldito” (1962) também merece destaque, demonstrando a versatilidade de ambos. Em 1968, Edwards, retomou a parceria com o ator Peter Sellers (realizada em “A pantera cor-de-rosa” de 1963, e que seria retomada em filmes posteriores da série) na comédia “ Um convidado bem trapalhão”. Este será o filme resenhado no presente texto, mas antes, finalizarei o brevíssimo relato sobre o cineasta citando outras de suas obras que mereceram destaque nas fontes que consultei: “Mulher nota 10” (1979) “S.O.B.” (1981), iniciais de “Son of a bitch”, nosso famoso palavrão “filho da puta”, expresso em português pela sigla FDP, “Victor ou Victoria?” (1995), sua única indicação ao Oscar. Apesar de não tê-la vencido, foi agraciado com o prêmio em 2004, pelo conjunto da obra.

Passemos agora as considerações acerca do filme “Um convidado bem trapalhão”; porém, cabe antes disso, prestar alguns esclarecimentos: decidi redigir esta resenha como homenagem a Blake Edwards, recém falecido (também como forma de me informar mais sobre ele) e escolhi justamente este filme por já tê-lo em casa, ao contrário de “Bonequinha de luxo” e, sobretudo, “Vício maldito”, que me interessaram mais. De qualquer forma, a escolha do presente filme me propiciou duas coisas: resenhar, neste blog, uma das obras presentes na cinemateca Veja (pretendo resenhar todas – vide objetivos do blog – e este é o primeiro texto de um dos filmes da coleção que publico aqui); tecer comparações entre “Um convidado bem trapalhão” e um filme no qual ele se baseia nitidamente: “Meu tio” (por mim resenhado meses atrás

http://miradourocinematografico.blogspot.com/2010/06/meu-tio-satira-obsessao-tecnologica.html).

O título original da obra é “The party” (A festa), pois a maior parte de seu enredo (cerca de 90% ou mais) se passam numa festa chique, tendo como convidados personalidades ligadas ao cinema (atores consagrados, como o brutamontes bobo que faz papel de cowboy, aspirantes a esse posto, como a jovem por quem o protagonista se encanta, diretores, produtores, etc.); já em “Bonequinha de luxo” houvera uma cena em que uma festa se transformava num caos; em “Um convidado bem trapalhão” tal acontecimento se converte em mote, em aspecto central da trama, a qual se inicia com o protagonista (um ator indiano, interpretado por Peter Sellers) arruinando as filmagens de um filme, ao pôr seu pé sobre um detonador e mandar pelos ares um forte de verdade, que estava abandonado e seria explodido como parte da trama. Furioso, o diretor se encarrega não apenas de demitir o ator trapalhão, mas de cuidar para que este nunca mais consiga emprego na área. Ao ligar para um homem influente em Hollywood e lhe passar o nome deste ator a ser absolutamente vetado do meio artístico em questão, tal “chefão” comete o descuido de anotar o nome abaixo duma lista de convidados para uma festa em sua casa.

Assim, por negligência, o castigo se converte em recompensa e o protagonista chega na festa dirigindo seu peculiar carro de três rodas. Já na entrada, perde seu sapato numa espécie de fonte e passa poucas e boas até recupera-lo. O filme é repleto de gags (piadas visuais, como nas comedias pastelão – ou próximas disso – do cinema mudo), as mais engraçadas sendo aquelas relacionadas a um painel em que cada botão acionado causa algum transtorno (referência direta ao já mencionado filme “Meu tio”). Porém, na minha opinião pessoal, o grande momento do filme (e que justifica assisti-lo para além de uma simples curiosidade histórica) é o ápice do caos, da anarquia, da balburdia, ou da diversão levemente (ou nem tanto) fora de controle em que se converte uma festa programada para transcorrer dentro dos padrões de etiqueta das classes abastadas dos EUA. É particularmente interessante como de pequeno incidente em pequeno (ou nem tanto) incidente, chega-se a uma situação quase (ou de fato?) fora de controle. Porém, é necessário salientar que a chegada a tal estado não é obra exclusiva de nosso convidado trapalhão, mas conta com a colaboração decisiva da filha do anfitrião, que chega com uma gangue, digo, grupo de jovens amigos, trazendo um filhote de elefante pintado com diversos slogans (eles são hippies ou algo semelhante). Ao criticar tal postura, por ser o elefante um animal sagrado em seu país, o protagonista sugere que lavem o filhote e para isso pegam alguma espécie de sabão que, despejado na fonte/ piscina, espalha a espuma pela casa inteira (uma cena particularmente cômica é aquela em que a banda de jazz – muito da trilha do longa é deste gênero musical e cabe aqui enfatizar a célebre trilha de “A pantera cor-de-rosa” do mesmo diretor – tocando de maneira impassível, enquanto a espuma cobre seus respectivos instrumentos e a eles mesmos). Outro destaque cômico é o garçom que, a cada recusa do protagonista em relação as bebidas que aquele lhe oferece, escolhe uma delas e a bebe, ficando assim embriagado e competindo com o ator indiano em termos de protagonismo de confusões.

Em que pese as risadas que este filme arranca, penso que “Meu tio” é uma comedia superior, além de flertar com o neo-realismo italiano, ao mostrar cenas de localidades mais humildes, tendo assim um (leve) apelo social; além disso, esteticamente (vide, por exemplo, a bela cena inicial dos cachorros vira-latas numa rua de paralelepípedos) o filme possui alguma sofisticação, aproximando-se assim da arte, ao contrário de “Um convidado bem trapalhão”, que constitui uma comedia em sentido estrito, uma obra escapista com intenções puramente de entretenimento. Dessa forma, considero o filme franco-italiano, superior não só como obra em geral, mas também no âmbito específico da comedia. E para aqueles que quiserem ver um desempenho marcante do protagonista Peter Sellers, aconselho a obra-prima (uma comedia de humor negro de Stanley Kubrick) “Dr. Fantástico”, na qual Sellers interpreta nada menos que três personagens.

Em suma, nem a comedia nem Sellers justificam, para os cinéfilos exigentes, a necessidade de se assistir “Um convidado bem trapalhão”; os aspectos que fundamentam esta necessidade são 1) o conhecimento histórico (quem é cinéfilo acaba se interessando por assistir alguns filmes que não lhe despertaram interesse apenas para poder dizer “assisti àquele filme famoso e não gostei por isso, isso e isso” ao invés de dizer o famoso “não vi e não gostei”, sem contar que todo filme célebre, por mais injusta que seja tal celebridade, deve ter algo que se aproveite); 2) a deliciosa confusão na qual a festa se transforma, algo sem precedentes na história das comedias, até onde sei (pois quando chega-se neste estágio, não só o protagonista, mas a maior parte dos personagens adere à bagunça =).

Na primeira foto de baixo para cima temos o diretor Blake Edwards, o homenageado desta postagem.



Alberto Bezerra de Abreu, dezembro de 2010


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

PostHeaderIcon Deixa ela entrar: revitalização do gênero filme de vampiros numa história em que a poesia transcende o horror










Contrariando o critério norteador das resenhas de filmes até então por mim redigidas para este blog (o de tê-los assistido pelo menos duas vezes), empreendo alguns comentários sobre “Deixa ela entrar” (Let the right one in, Suécia, 2008, dirigido por Tomas Alfredson), ao qual assisti em janeiro de 2010 no cinema da Fundação Joaquim Nabuco (Recife). Meu primeiro contato com a obra se deu através de uma resenha no jornal Diário de Pernambuco (eis o link

http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/01/02/viver7_0.asp), mas apesar desta ter me despertado algum interesse, não foi o suficiente para que eu tivesse realmente vontade de assisti-lo (no entanto, acabei indo por outros motivos somados a este...). Apesar de ter lido sobre o filme, não criei grandes expectativas (nem positivas nem negativas) acerca dele e isso parece ter sido fundamental para a grata surpresa que tive.

A primeira questão a se colocar é a seguinte: o que mais um filme sobre vampiros pode acrescentar de relevante? Bem, este e “Entrevista com o vampiro” são os únicos filmes sobre vampiro que assisti que não se baseiam diretamente na obra de Bram Stoker (parece-me haver a seguinte regra: filmes intitulados “Drácula”, como o de Coppola se inspiram fielmente na obra de Stoker, enquanto filmes intitulados “Nosferatu”, como os de Murnau e Herzog constituem livres adaptações, ainda que fiéis ao original, mas sem buscar reproduzi-lo em seus mínimos detalhes). Os dois filmes primeiramente citados não se baseiam em Stoker e, em minha opinião, são superiores aos filmes que o fazem, em se tratando de caracterização vampiresca. Exploram, a meu ver, com maestria a fragilidade como contraponto das habilidades sobre-humanas de tais criaturas. Em ambos há a questão de alguém tornado vampiro ainda na infância, temática deveras interessante (a qual põe a seguinte questão: até que ponto tais indivíduos conseguiriam ingressar na idade adulta?).

Eis o enredo: Eli e Oskar são dois pré-adolescentes que iniciam uma amizade peculiar; ambos – cada um a seu modo – são solitários. Ele é alvo constante de agressões de valentões da escola, ela é uma vampira! (mas de início ele não sabe disso). Assim, cada um em seu respectivo exílio encontra no outro um bálsamo. Ela (por motivos óbvios) põe-se na defensiva, mas acaba se rendendo à delicadeza do garoto. A terna relação entre eles, tendo como pano de fundo uma cidade coberta de neve, retratada através duma belíssima fotografia adquire contornos poéticos tocantes. O filme cresce, aos poucos, vai-nos envolvendo paulatinamente, a relação entre os dois jovens constituindo o tema central da obra. Evidentemente, tal relação remete necessariamente à natureza vampiresca de Eli, que vai se revelando aos poucos a Oskar. Um dos destaques da obra é a renúncia: no final do filme descobrimos (ou ao menos temos a certeza) de que Oskar irá substituir o senhor que “cuidava” de Eli, e com isso percebemos que este outrora desempenhava o papel que Oskar então desempenha. Eis um amor que se contenta tão somente com a companhia do outro. Pelo menos para mim, o verdadeiro significado da devoção daquele senhor pela garota só fica claro a medida em que a relação entre ela e Oskar se intensifica.

No entanto, se parece evidente que o diretor não evidencia apenas Eli (Oskar não é de forma alguma um mero coadjuvante), não posso negar que o que mais me interessou no filme em termos de discussão (travadas como uma espécie da rascunho para uma posterior resenha com a pessoa que me acompanhou na exibição de tal filme) trata essencialmente da condição vampiresca e será este o prisma privilegiado no restante do presente texto. Eis então algumas questões que coloquei a respeito desta temática numa discussão via e-mail:

1) a questão do viver ou morrer; Eli diz a Oskar, quando este a censura por matar, que precisa fazer isso. De fato, para viver ela precisa fazê-lo, mas o suicídio é sempre opção para um ser racional. Não sei se a opção do Louis (“Entrevista com o vampiro”), de se alimentar de ratos é verossímil em outras “interpretações” acerca da natureza vampiresca (se poderiam se alimentar do sangue de qualquer ser vivo, ou mais especificamente, de qualquer mamífero). Neste caso poder-se-ia criar animais, não ratos, mas porcos, cavalos, cães, enfim. Seria simples. Mas tendo de ser humanos, poder-se-ia selecionar as vítimas (me peguei pensando nisso: eu, me tornando vampiro, quereria a imortalidade? Não seria demasiado chato não morrer nunca, e pior, ver todas as pessoas que amo falecerem e eu permanecer infinitamente? Acredito que sim, mas certamente eu passaria ao menos algum tempo utilizando meus “super-poderes” para me divertir e quiçá fazer justiça; adoraria chupar todo o sangue de um parasita como Sarney, por exemplo; por outro lado, ao pensar que teria toda a eternidade para ler os clássicos da literatura, da filosofia, assistir centenas ou mesmo milhares de ótimos filmes, ficaria tentado a ir prorrogando a imortalidade...). Voltando, ainda que ela precise matar, há uma escolha: ela pode matar-se e não matar outrem. É fácil? Não creio, no entanto, é possível. Outra coisa, no caso da mulher mordida por Eli, seu suicídio seria opção ou efeito colateral? Numa cena ela afirma que foi contaminada pela garota. Meus parcos conhecimentos vampirescos são de que se o vampiro não suga o sangue da vítima até seu falecimento, esta se torna vampiro; no entanto, haverá diferença em faze-lo propositalmente ou sem-querer ? (Eli o fez sem querer – foi impedida de continuar – e talvez por isso a mulher não conseguisse aceitar sua “nova natureza”). Vale salientar que o repúdio à luz do sol e o inconveniente de entrar num recinto sem ser convidado são apreendidos instintivamente pelo vampiro, isso fica claro no comportamento da mulher.

2) a questão do instinto; é célebre em filmes de vampiro a cena em que um humano se corta (normalmente sem querer) e o dentuço perde a compostura; no “Nosferatu” de Herzog, o vampiro chupa o dedo do convidado, e diz ser para o bem dele, mas a maneira afoita, esfomeada mesmo que ele o faz desmente esta sua intenção. Isso me suscitou algumas questões: a atração pelo sangue é incontrolável? (normalmente, um humano não avança daquele jeito na comida, por mais apetitosa, a não ser se estiver a dias sem comer); tal ímpeto alimentar se dá mesmo que o vampiro esteja bem alimentado (tenha se alimentado há pouco?); até onde é possível se controlar? Achei a cena do “Deixa ela entrar” duplamente inverossímil; primeiro, porque se ela sabia de sua fraqueza, devia ter fugido logo que viu o sangue escorrer (ela poderia faze-lo, já que o fez depois); além disso, não faz sentido p/ mim ela ter dito para ele correr/fugir, quando ela que o devia ter feito (pois era ela quem sabia do perigo, não ele); tanto é assim que ele não correu e ela teve de fazer o que eu sugeri desde o início.

3) A dúvida do motivo dos gatos terem não apenas “se armado” para a mulher tornada vampira por Eli (o que me pareceria normal, já que animais parecem ter uma maior sensibilidade que os humanos para captarem coisas do “além”), mas a atacado (e em bando!). A questão do ataque me parece deveras estranha (de novamente, inverossímil), pois em geral, quando um gato ameaça atacar se arrepiando, ele está na realidade se sentindo ameaçado (o fato de arrepiar-se serve justamente para que ele pareça maior, o que aconteça quando um gato encontra um cachorro ou um gato hostil – já presenciei ambas as situações), diferentemente de quando ele “ameaça” um dono chato que lhe está importunando (neste caso ele não se arrepia – e também já vivenciei tal situação=). De modo que o comportamento esperado seria a hostilidade dos animais, mas não o seu ataque (a não ser que a insegurança da mulher em relação a sua nova condição tenha-lhe tornado particularmente frágil – não imagino os gatos saltando em Eli, e se por acaso o fizessem, ela, no mínimo os jogaria longe).

Para finalizar, destacado dois dos momentos mais marcantes da película: a cena da piscina, na qual Eli literalmente despedaça os algozes de Oskar é belíssima, mas aquela que dá nome ao filme é realmente incomparável em termos de beleza. Aliás, cabe aqui uma breve reflexão sobre o sentido do título: remetendo a “Cinema, aspirinas e urubus”, cabe salientar que há filmes que vão além do puro entretenimento sendo cheios de significados profundos, expressos inclusive em seus respectivos nomes. No caso de “Deixa ela entrar”, sem dúvida não se trata apenas da maldição vampírica, podendo ser interpretado também no sentido metafórico de, ele – o humano – deixar que ela – a vampira – entre em sua vida, ainda que na verdade seja ela quem possui ressalvas quanto a relação, visto que ele terá muito a dar e pouco a receber. De qualquer forma, me recuso a enxergar no título uma menção exclusiva a tal maldição, ainda que a cena em questão seja de um primor irretocável. E cabe salientar ainda que, até onde lembro, não sabia o que aconteceria se um vampiro entrasse numa residência sem ser convidado; imaginava que eles não conseguissem, como se houvesse uma barreira invisível. Até onde sei, nenhum outro filme mostra este tipo de resultado, o qual, por si só, já vale o filme. Além da beleza estética, há a beleza poética, estando ambas imbricadas durante todo o filme. Belíssimo; surpreendente, quiçá tocante.

Em tempo: “A hora do espanto” é outro filme sobre vampiros não inspirado em Stoker o qual assisti, mas faz tanto tempo que até me esqueci de sua existência.

Dedico esta resenha a Isabele “Tinúviel”, minha companheira de sessão e interlocutora virtual das questões acima enumeradas.


Alberto Bezerra de Abreu (janeiro/abril de 2010)



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

PostHeaderIcon Expectativa 2011/ Retrospectiva 2010 na Fundaj: prato cheio de ótimos filmes recentes


A vida cinematografica recifence anda movimentada nas ultima semanas; apos a III Janela Internacional de cinema do Recife, em meados de novembro, e da edição 2010 do Festival de Vídeo de Pernambuco (ambos aqui divulgados e a serem por mim resenhados em breve), realiza-se, desde a semana passada, a Expectativa 2011/ Retrospectiva 2010 no cinema da Fundação Joaquim Nabuco. O evento, que começou no dia 3 de dezembro e irá até o dia 16 deste mesmo mês (próxima quinta-feira) não me atraiu muito em sua primeira semana ("Mary & Max" eu já havia assistido; "Toy Story 3" não, e apesar de meu desejo, não pude vê-lo nesta exibição para os retardatários, de modo que limitei-me, nesta primeira semana, a assistir "Filme Socialismo", do sempre desafiador Godard).

Porém, ao abrir o jornal no sábado a tarde, pouco tempo após acordar (o enfado de fim de ano me fez dormir das 2h da madrugada de sexta para sábado até as 14:20 deste último), meu olhos brilharam ao ver que seria exibido "Vício frenético", filme estrelado por Nicolas Cage e dirigido pelo talentosissimo cineasta alemão Werner Herzog. Duplamente imperdível, não só pela qualidade do "homi", mas por eu haver perdido quando passou ano passado (saiu de cartaz muito rápido). Como soube já em cima da hora, não deu tempo de postar nem avisar a ninguém.

Ainda no sábado, uma amiga me disse ter ouvido coisas boas do filme "Hanami: cerejeiras em flor" e após assisti-lo, justamente no festival em questão, endossou o elogio; após afirmar que o filme seria re-exibido, fui a site da Fundaj e tive a grata surpresa de ver que outros filmes interessantes também serão exibidos no festival; entre eles o faladíssimo "Tropa de elite 2" (que estou tentando assistir a algum tempo, mas sempre ocorre algum emprevisto ¬¬), bem como o clássico "Dona flor e seus dois maridos" (para quem não sabe, este filme foi por mais de 20 anos o filme brasileiro recordista de bilheteria, sendo tal recorde quebrado justamente por "Tropa de elite 2"). E mais: esses dois serão exibidos no mesmo dia. Empolgado com a notícia, resolvi divulgar aqui a programação completa da segunda semana do evento. Ei-la abaixo. Para maiores detalhes,

http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=455&date=currentDate
Além dos filmes citados, destaco o excelente "
Deixa ela entrar" (fiz uma resenha dele e com esta nova exibição, é possível que a poste nos próximos dias) e, para quem perdeu o Festival e Vídeo de Pernambuco deste ano, aconselho a sessão Curta PE (dois destes foram exibidos no festival).


Boas sessões.


Alberto Bezerra de Abreu.


Segue a programação:



Segunda, 13 dezembro

16h30 – Homens em Fúria

(Stone, EUA, 2010) De John Curran. Com Robert De Niro, Edward Norton, Milla Jovovich.

18h30 – Minhas Mães e Meu Pai

(The Kids Are Alright, EUA, 2010), de Lisa Cholodenko. Com Julianne Moore, Annette Benning, Mark Ruffalo.


20h30 – Morte e Vida Severina

(Brasil, PE, 2010) Animação de Afonso Serpa. Com vozes de Gero Camilo, André Ríccari, Vanda Phaelante, Lívia Falcão, Eduardo Japiassu, João Augusto Lira, Jones Melo, Fábio Caio, Vavá Schön.

Terça, 14 de Dezembro

17h50 – Tropa de Elite 2: O Inimigo agora É Outro

(Brasil, 2010) De José Padilha. Com Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Maria Ribeiro, Milhem Cortaz, Tainá Müller.


20h10 – Dona Flor e Seus Dois Maridos

(Brasil, 1976), de Bruno Barreto. Com Sônia Braga, José Wilker, Mauro Mendonça.

Quarta, 15 dezembro

16h10 – Deixa Ela Entrar

(Låt den Rätte Komma In, Suécia, 2008), de Tomas Alfredson. Com Kåre Hedebrant,
Lina Leandersson.

18h20 – Sede de Sangue

(Bakjwi, Japão, 2009), De Chung Seo-kyung, Park Chan-wook. Com Song Kang-ho, Kim Ok-vin, Kim Hae-sook.


20h40 – Terra Deu, Terra Come

(Bra., 2010) De Rodrigo Siqueira.


Quinta, 16 de Dezembro


16h – Atraídos pelo Crime

(Brooklin Finest, EUA., 2009), De Antoine Fuqua. Com Richard Gere, Ethan Hawke, Don Cheadle, Wesley Snipes, Lili Taylor, Ellen Barkin.


18h15 – Hanami: Cerejeiras em Flor - (2ª exibição)

(Kirschblüten: Hanami, Alemanha, 2008). De Doris Dörrie. Com Elmar Wepper, Hannelore Elsner. Seleção oficial de Berlim 2008. 126 min. / Filmes da Mostra / Inédito / Digital / 14 anos.


20h30 – A nova safra de curtas metragens pernambucanos

- O Monstro da Várzea

De André Pinto

ficção, cor, digital, 3 min., PE, 2010

- O Ano Passado em Itamaracá

De German Ra

ficção, cor, digital, 15min., PE, 2010

    -My Way
    direção: Camilo Cavalcante. Com Marisa Santanafessa, João Eduardo, Asaias Zaza, Soraya Silva, Henrique Viana Brandão, Hugo Coutinho, Aninha Martins
    ficção, cor, digital, 7min, PE, 2010

    - Café Aurora
    direção: Pablo Polo
    ficção, cor, 35mm,19min, PE, 2010

    - Acercadacana
    direção: Felipe Peres Calheiros
    documentário, cor, 35mm, 19min58, PE, 2010




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Alguém que escreve para viver, mas não vive para escrever; apaixonado pelas artes; misantropo humanista; intenso, efêmero e inconstante; sou aquele que pensa e que sente, que questiona e duvida, que escapa a si mesmo e aos outros. Sou o devir =)
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