quarta-feira, 4 de maio de 2011

PostHeaderIcon 15 anos do Cine PE: últimos dias!



Neste ano de 2011, o renomado festival de Cinema de Pernambuco (incialmente chamado "Festival de Cinema do Recife", atual "Cine PE Festival") completa 15 anos. Considerado o maior festival brasileiro em termos de expectadores por sessão, bem como tendo a platéia mais calorosa, a edição deste ano do evento se iniciou no último sábado (30/04/2011) e se encerrará na próxima sexta (06/05/2011).

Meu intento é o de comparecer ao evento todos os dias, intento este que tenho conseguido realizar até agora, apesar do dilúvio que insiste em cair em diversas partes do Estado (tanto no litoral quanto no interior). Pretendo, posteriormente, redigir resenhas pontuais sobre cada um dos filmes que assisti. Por hora, limito-me a enfatizar que o festival está acabando (sexta será o encerramento, havendo entrega de prêmios e exibição de apenas um filme, fora de competição, de modo que as duas últimas noites “valendo” serão a de hoje – quarta-feira, 4 de maio de 2011 e a de amanhã). Destaco, até então, os curtas “Janela molhada” e “As aventuras de Paulo Bruscky” (ambos pernambucanos, os quais eu já havia assistido), “Fábula das três avós”, “Traz outro amigo também”, bem como os educativamente subversivos longas “Augusto Boal e o Teatro do Oprimido” (que me fez conhecer esta figura essencial da cultura brasileira) e “JMB, o famigerado” (que fez-me interessar-me mais pelo hilário “mau velhinho” Jomard Muniz de Britto, “agitador cultural marginal” de Recife – ainda vivo, ao contrário de Boal).


Alberto Bezerra de Abreu, 04/05/2011


quinta-feira, 28 de abril de 2011

PostHeaderIcon A última tentação de Cristo ou como uma ode é recebida como ofensa








Meu nada recente repúdio ao cristianismo institucionalizado (anterior inclusive às leituras de Nietzsche) fez-me ter outrora algumas atitudes um tanto abusadas, como quando, no Ensino Médio, pintei uma cruz de ponta cabeça em minha farda, pondo os números 6,6,6, respectivamente ao lado/ em baixo das três pontas do símbolo (mas como a camisa era azul escura e a “arte” tomava o preto como efetivador), o desenho ficou discreto. Já a insistência em comer carne durante a semana santa durou mais tempo (confesso que neste ano, tendo demasiadas coisas mais urgentes com as quais me preocupar, nem pensei nisso, apesar de que de hoje acabei comendo pirão com guisado de boi). No entanto, minha verve herética se manifestou nesta semana santa no plano cinematográfico: resolvi assistir novamente “A última tentação de Cristo” de Martin Scorsese. Conheci tal obra através de um amigo que a trouxe, há alguns anos (uns três acredito eu, talvez mais). Lembro-me de ter apreciado a obra, mas tendo ficado com uma pulga atrás da orelha em relação a seu conteúdo supostamente polêmico.

Acontece que se trata do famoso filme que mostra Jesus se casando com Maria Madalena. A questão fundamental é em que contexto isso se dá. Ora, meus conhecimentos acerca do cristianismo são parcos; quando cursei a disciplina “filosofia da religião” escolhi traçar uma comparação entre judaísmo e islamismo justamente com o intuito de, ao conhecer um pouco de ambas as religiões, tentar investigar até que ponto suas divergências justificariam seu conflito bélico e constatei que a questão é essencialmente política, pois no plano estritamente religioso elas têm muito mais em comum do que um leigo (como eu) poderia supor e fiz tal escolha também com o intuito de não estudar o cristianismo. Voltando a este último, o filme parece-me ser bem tradicional até chegar na “heresia” próxima do final. A exceção é uma cena em que Cristo está num leito ao lado de vários homens os quais, um a um possuem uma mulher. Após todos se saciarem, ele se aproxima da tal mulher (deitada numa cama/ esteira e despida) e esta, ao perceber de quem se tratava, se cobre com um pudor insuspeito caso se tratasse de qualquer outro homem. Mas este era Jesus e a mulher em questão era Madalena. Somos então informados de que eles se conhecem desde a infância e de que ela é apaixonada por ele que, por sua vez, parece correspondê-la, mas não da mesma forma (a mim, pareceu ser o sentimento dele mais o seguinte: não querer seguir os desígnios do “Senhor”, mas viver uma vida comum com mulher e filhos, sendo Madalena uma boa opção, mas não propriamente uma paixão – tal interpretação está aberta a controvérsias, claro).

No mais, o filme parece retratar a jornada de Cristo de forma bastante tradicional (aliás, o fato de ele fazer cruzes e de conhecer Judas antes dos demais apóstolos também me soou estranho, mas como passei longe da Bíblia até então não posso especular mais a fundo sobre a fidelidade do filme aos textos “Sagrados”). Insisto nesta questão da fidelidade por dois motivos: 1) o filme se inicia com a afirmação de que não se inspira nos Evangelhos; 2) tudo que vá contra os textos “Sagrados” é taxado de herético, infame e mentiroso pelos cristãos donos da verdade .

No decorrer do filme, lá estão as passagens mais célebres da vida de Jesus, conhecidas por todos que tenham o mínimo de cultura cristã, mesmo que não tenha sequer chegado perto da Bíblia; Cristo salvando Madalena do apedrejamento perguntando “quem nunca pecou” (o interessante aqui é que um ancião não intimidado com tal assertiva dizia não ter o que esconder, sendo necessário ao Messias mencionar alguns de seus podres – o fato de enganar seus empregados, bem como um romance indevido – de modo que o argumento me pareceu mais psicológico que moral – enquanto for possível negar meus pecados não hesitarei em apedrejar, mas não ouso faze-lo se muitos sabem de minhas faltas); o batismo de Jesus por João Batista; as meditações e a provação das tentações no deserto (merece destaque aqui a confiança adquirida por Cristo após tal provação, questão essa que mencionarei mais a frente); os milagres (fazer um cego voltar a enxergar, transformar água em vinho); a fúria contra os mercadores no templo; a última ceia; o beijo de Judas.

É interessante a caracterização inicial de um Cristo atormentado, cheio de dúvidas no qual o sentimento predominante é o medo. Ao começar a criar confiança de poder realmente efetivar os desígnios de Deus, faz ele um discurso que não repercute exatamente como o esperado; fala de amor, mas afirma que “os que riem hoje amanhã chorarão” e acaba involuntariamente incitando muitos à violência, ao que ele retruca, decepcionado “eu não disse morte, disse amor”. Após receber o machado de João Batista, Jesus fala em guerra (o que para mim parece mais algo metafórico, ainda que no templo ele efetivamente destrua barraca dos mercadores); no entanto, após o amor e o machado/ guerra, percebe ele que o caminho é o (auto) sacrifício. (As oscilações entre o Jesus medroso e angustiado do início, confiante e altivo pós encontro com João Batista, provações no deserto e “embate” com os mercadores e em desespero após a última ceia, implorando a Deus que haja outro jeito que não seja sua morte na cruz expressam a meu ver uma caracterização verossímil de um homem que enfrentou um grande fardo e realizou um grande feito). Ponto para Scorsese (e para Nikos Kazantzakis, autor do livro no qual o filme foi inspirado) que enfatizaram o lado humano de Cristo (sem negarem seu lado divino – o que pessoalmente considero um ponto negativo).

Um dos aspectos mais interessantes da obra é, sem dúvida, a caracterização de Judas; enviado para assassinar Cristo, resolve segui-lo. Quando este encontra outros apóstolos, Judas (Harvey Keitel, ótimo como sempre) queixa-se serem todos eles muito fracos. Só ele seria forte o suficiente. E essa força ser-lhe-ia cobrada de forma deveras exigente; Cristo não só sabia da “traição” de Judas, mas lhe pedira para perpetrá-la. Desse modo, penso eu, não se pode falar propriamente em traição. Na realidade, só Judas seria suficientemente forte para realizar tal ação, a ponto de Cristo dizer que sua tarefa era mais fácil que a de seu fiel apóstolo. No filme não vemos um Judas trair Jesus por dinheiro, mas – paradoxalmente! – por extrema fidelidade a seu mestre. Tal fato me soa de uma beleza trágica que permite uma analogia bastante significativa: se amo alguém, mas tenho motivos para pensar que tal pessoa será mais feliz com outrem, desistir de tal pessoa não é uma prova de não ama-la, mas, – paradoxalmente – uma prova suprema de amor (desde que tal renúncia tenha sido feita realmente em prol da felicidade do ser amado, e não em virtude de meu medo de ser feliz com a pessoa amada).

Cristo é posto na Cruz; chegamos aqui ao ponto culminante da obra? De forma alguma. Em pleno tormento do Messias, que se pergunta “pai, por que me abandonas-te?”, vemos se desenhar a heresia; diante dele surge uma garota de cabelos loiros que aparenta ter entre 9 e 12 anos, um verdadeiro anjo que veio salvar o salvador da humanidade (e a interpretação da garota é soberba). Deus pediu a Abraão que matasse seu filho, mas quando este provou que o faria, foi impedido. O mesmo se dava então com Jesus, que após tanto sofrer havia cumprido sua missão e não precisaria sacrificar a própria vida. Assim, Cristo escapa de seu destino trágico tao bem conhecido por todos nós ocidentais, sejamos nós cristãos, anticristãos ou qualquer um dos meio-termos existentes entre estes dois extremos. Em cena breve e discreta, vemos Jesus possuindo Madalena. Esta engravida dele, mas acaba falecendo. A “anja”, porém o persuade a arrumar outra esposa, afinal “todas são Madalena, só que com rostos diferentes”. Ele não só arruma esposa, como tem filhos. Encontra então Saul (Paulo) pregando em nome do cristianismo e contando como o Messias foi morto na cruz para nos salvar; Jesus o refuta, dizendo estar vivo e aquele lhe responde dizendo que dá às pessoas a verdade da qual elas precisam (ou seja, afirma explicitamente que não se preocupa em ser fiel aos fatos, mas em ser o mais persuasivo possível, o que provavelmente aconteceu realmente, visto que Cristo nada deixou escrito...).

Jesus envelhece, e próximo de sua morte recebe a visita dos apóstolos; todos lhe são condescendentes, menos Judas; este lhe revela que a “anja” é na verdade o demônio e que ele (Jesus) renunciou a Deus ao aceitar não morrer na cruz. Esta revelação é, de fato, deveras surpreendente. Temos um Jesus covarde, traidor. Nada mais herético, não? Mas ai temos a segunda virada de mesa do filme (e a grande questão a se discutir é até que ponto esta atenua ou mesmo anula a primeira): Jesus ancião (brilhantemente interpretado por Willem Dafoe – ele me parece melhor interpretando o Cristo ancião, apesar de se sair muito bem interpretando o Cristo jovem) cambaleia até o lugar onde fora fixada a cruz na qual ele fora pregado e pede perdão a Deus; vemos então ele novamente jovem, preso à cruz (o que indica que esta sua renúncia ao sacrifício não passou de um sonho). É indiscutível a grande engenhosidade destas duas viradas de mesa (não sei até que ponto isso é produto original do romance...).

Em suma, parece-me que a obra supostamente herética, no fundo constitui uma exaltação da figura de Cristo, essa não sendo ingênua e inverossímil como aquelas que o concebem como infalível (qual seria o mérito de suportar o sofrimento se o sofredor fosse imune a ele?). Não deixa, porém, de ser corajosa, ao apontar caminhos logo taxados de heréticos. Um belo filme, sem dúvida, e que nos faz pensar, e muito (se estivermos dispostos a isso).

Em tempo: não tenho nada contra a figura de Cristo (ainda que minha visão sobre ele seja mais a de um homem a frente do seu tempo – como foram outros antes e depois dele – do que a de um santo ou mais que isso) nem contra o cristianismo puro (se é que isso existiu!), mas contra o que chamo de cristianismo institucionalizado, ou seja, a religião transformada em instrumento de opressão e dominação, auto-intitulada portadora duma verdade inquestionável (acredito que isso começou com Paulo e a fundação da Igreja Católica, mas posso estar enganado; não estou enganado, entretanto, quanto a abundante bestialidade perpetrada em nome de Deus, sejam por cristãos de diferentes cisões, seja por adeptos de outras religiões). A isso, deixo expresso meu mais visceral repúdio.



Alberto Bezerra de Abreu 02/04/2010 (redigido ao som de Chopin e Villa-Lobos)

segunda-feira, 28 de março de 2011

PostHeaderIcon Glauber Rocha: o mais importante cineasta brasileiro?


Todo juízo de valor implica o seguinte questionamento: é ele fundado em algo objetivo ou subjetivo? Inicio o presente texto com tal reflexão para defender a seguinte perspectiva: considerar Glauber Rocha como sendo o melhor cineasta brasileiro é algo inserido no âmbito da subjetividade; eu, por exemplo, sou completamente apaixonado por “Lavoura arcaica”, filme de 2001, dirigido por Luiz Fernando Carvalho, paixão tal que me faz considerar tal cineasta como o melhor do país, embora o filme citado seja o único por ele realizado até então (além dele, Carvalho dirigiu séries exibidas na Rede Globo, a mais recente delas intitulada “Afinal, o que querem as mulheres?”, merecendo destaque ainda as excelentes “Capitu” e “A pedra do reino”). Porém, admito que tal opinião é subjetiva, pois se insere fortemente em me gosto pessoal; por outro lado, a perspectiva segundo a qual Glauber Rocha foi (e continua sendo) o mais importante cineasta do país, parece-me fundada em dados objetivos, e não em preferências pessoais de gosto. Deixando de lado a posição hipócrita do “ter de gostar de algo por ser ele reconhecidamente bom segundo as autoridades intelectuais”, afirmo que a questão “gostar ou não gostar” do cinema glauberiano é bastante controversa, complexa e ambígua.

Para abordar tal questão espinhenta (colocar o gosto pessoal acima da “autoridade intelectual dos críticos”, os quais dizem o que é bom e o que é ruim), recorrerei à minha experiência pessoal: em meados de 2008, assisti meu primeiro filme de Glauber Rocha na Fundaj, num festival que comemorava os 40 anos do turbulento ano de 1968; tratava-se de “Terra em transe” e achei-o nada menos que excelente, fazendo jus a minha nada singela expectativa; não lembro bem quanto tempo depois, assisti em DVD a “Deus e o diabo na terra do sol” e, não sem certo pesar, sentencio: detestei. Ambos são filmes herméticos e difíceis, ao menos se comparados ao “cinemão” de entretenimento o qual, década após década, somos acostumados a consumir. Porém, enquanto o primeiro me envolveu e me causou empatia, o segundo só me causou enfado e nada me disse. Evidentemente, quando conhecemos algo devidamente contextualizado, temas mais elementos para apreendermos a obra, e como assisti a ambos os filmes já a alguns anos, em época que quase nada sabia de seu realizador, é bem possível que ao (re)assisti-los, minha reação seja outra.

Pois bem, dito isto, chego enfim ao tema que me levou a redigir este texto: neste ano de 2011, completam-se 30 anos da morte de Glauber Rocha e, em justa homenagem, a revista CULT lhe dedicou uma matéria de capa; esta conta com textos de especialistas na obra do cineasta e constituem valiosos dados de introdução no universo glauberiano. Glauber não se limitou a dirigir filmes, mas escrevia para diversos jornais, exercendo a função de agitador cultural e combinando estética com política (seu cinema é o que se pode chamar de engajado, sem, contudo, ser submisso a qualquer determinação externa ao autor: nada de submeter-se aos ditames do Partido – Glauber se dizia comunista, mas nunca filiou-se a tal partido, mantendo assim sua autonomia – ou do que quer que fosse, pois, tanto forma quanto conteúdo advinham do próprio Glauber, e não de modelos pré-estabelecidos).

Percebo que ainda não proferi meu argumento em defesa da perspectiva segundo a qual Glauber é o mais importante cineasta brasileiro; farei-o então agora. Como quis argumentar antes de passar a isso, a questão da qualidade ou não de seu cinema não deixa de passar pela questão subjetiva do gosto, afinal, para algumas pessoas, por mais profundo que seja um filme, se ele não causar algum tipo de prazer, ele é ruim. Neste sentido, poder-se-ia dizer que, “Deus e o diabo...” é um filme ruim. Não concordo com tal perspectiva, mas não tratarei dela neste texto. O foco de minha argumentação é outro; trata-se do seguinte: gostando ou não das obras de Glauber, não se pode negar sua originalidade, bem como a grande repercussão por elas alcançadas, inclusive no exterior (o cineasta chegou a vencer como melhor diretor no festival de Cannes – festival este muito mais sério que o tal do Oscar). Além disso, Glauber tomou a frente do célebre movimento conhecido como Cinema Novo (o qual me remete um pouco ao chamado Neo-realismo italiano, o qual, se não me engano, é pouco anterior ao movimento brasileiro, já que surgiu no imediato pós Segunda Guerra Mundial). Ou seja, Glauber Rocha pode, sem exageros, ser tido como um divisor de águas dentro da cinematografia nacional, coisa que não se pode dizer de Luiz Fernando Carvalho (que fique claro: não estou insinuando que por isto este último seja inferior àquele). Neste sentido, pode-se dizer o seguinte: pode-se gostar ou não de Glauber Rocha, mas não se pode ser indiferente a ele.

Para fechar com chave de ouro, indico o site dedicado à Glauber Rocha; lá há vasto material, inclusive textos do autor; indo na sessão “textos e poesias”, é possível ler seu texto-manifesto “Eztetyka da fome”, bem como outros textos, os quais favorecem sobremaneira uma apreensão mais profunda de seus filmes. http://www.tempoglauber.com.br/



Alberto Bezerra de Abreu, 28/03/2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

PostHeaderIcon Hayao Miyazaki, o “Disney nipônico”

A princesa Mononoke
A viagem de Chihiro
Ponyio - uma amizade que veio do mar
Hayao Miyazaki

Não fosse uma reportagem intitulada “O triunfo do sol nascente”, publicada na saudosa revista de cinema SET (edição 190, de abril de 2003, tendo na capa Hugh Jackman, como Wolverine no filme “X-Men 2”), talvez eu ainda ignorasse a excelente animação japonesa “A viagem de Chihiro”. Até o presente momento, esta é a única obra de Hayao Miyazaki a qual tive oportunidade de assistir (e que merecerá uma resenha específica), mas a presente postagem pretende “apresentar” este soberbo realizador a quem nunca ouviu falar dele. Sua popularidade no Japão é tamanha, que lhe apelidaram de “o Disney japonês”, em referência não só ao sucesso, mas também a qualidade das animações do consagrado Walt Disney.

A princesa Mononoke” (1997) foi a obra através da qual Miyazaki alcançou sucesso internacional; no Japão, o desenho tornou-se a obra cinematográfica detentora da maior bilheteria até então (seria superada por “Titanic”); por sua vez, “A viagem de Chihiro”(2001) superou o filme de James Cameron, tornando-se a maior bilheteria do país (não sei se hoje persiste esse recorde, até porque outros filmes de Miyazaki foram lançados, e estes quebrarem o recorde de bilheteria do cinema no Japão é algo comum); além disso, Chihiro venceu o Urso de Ouro no festival de Berlim e arrebatou o Oscar de melhor animação (na estreia daquela categoria no evento); por fim (e por isso mesmo pode-se falar do papel revolucionário exercido pelo desenho), este personificou a ressurreição da animação tradicional no ocidente (era comum na época, considerar sua obsolência em relação à animação computadorizada). Cabe salientar que ambos os desenhos integram a lista do livro “1001 filmes para ver antes de morrer”.

Recentemente (em 2009, se não me engano), estreou no Brasil “Ponyo – Uma amizade que veio do mar” (2008), desenho este que não teria me chamado atenção, não fosse eu saber que se tratava de uma obra “do criador de 'A viagem de Chihiro'”, se bem que acabei não indo assisti-lo e ainda não o vi em dvd. O fato é que Miazaki é um mestre da fantasia, conseguindo envolver simultaneamente crianças e adultos; sua animação é belíssima e bastante expressiva, mesmo sem utilizar traços detalhados nas expressões faciais dos personagens; criatividade, encanto e profundidade (sem descambar para um pedantismo intelectualista que por vezes prejudica demasiadamente o cinema autoral europeu) são suas marcas registradas. Embora beba em elementos típicos da animação japonesa (um gênero bastante popular por lá, desde o célebre, e não raro tachado, mesmo no ocidente, como obra-prima “Akira” [1988], passando por obras televisivas que muito sucesso fizeram no Brasil – “Cavaleiros do zodiaco”, “Dragon Ball” e “Yu-Yu Hakusho”), as obras de Miyazaki parecem ter sua própria magia, pessoal e específica.

Por ter assistido apenas “A viagem de Chihiro”, não posso redigir um relato mais aprofundado acerca da obra de Miyazaki, então posto um link com uma lista de seus 10 melhores filmes: http://melhoresfilmes.com.br/diretores/hayao-miyazaki

Para finalizar, cabe dizer que o intento desta postagem foi homenagear (e ao mesmo tempo divulgar) o trabalho de Hayao Miyazaki, cabendo salientar que, embora haja assistido apenas a uma de suas obras, esta foi mais que suficiente para considerar-me já seu fã.


Alberto Bezerra de Abreu, 13/03/2011




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PostHeaderIcon III janela internacional de cinema do Recife: um festival de gente grande

Três homens em conflito
Cópia fiel
Masala Mama
Poesia (Shi)



Escolhi iniciar meu texto sobre a III janela internacional de cinema do Recife relatando um fato curioso: a não muito tempo, percebi que na parte interna do banheiro masculino do cinema da Fundação Joaquim Nabuco havia um adesivo divulgando a II janela internacional de cinema do Recife; ora, era óbvio tratar-se dum festival de cinema, mas eu não o conhecia e fiquei especulando (ainda que não por muito tempo) que tipo de festival seria. Não tardou e pude conferir com meus próprios olhos (e ouvidos, e etc.) do que se tratava, pois de realizou-se na capital pernambucana a terceira edição do evento.

Pois bem, que posso eu dizer acerca do festival como um todo? Pela grande quantidade de filmes, pela duração extensa do evento (mais de uma semana), pela quantidade de público (pequeno em algumas sessões, mas bastante expressivo noutras) e pela qualidade e diversidade dos filmes, posso afirmar tratar-se dum festival de gente grande. Cabe salientar que a organização também foi boa, com exceção de tortuosa estadia nas salas de espera do São Luiz e do cinema da Fundação, que são locais bastante quentes.

Ao contrário das versões anteriores do festival (as quais não fui, mas fiquei sabendo através de pesquisa), dessa vez as exibições de dividiram entre a Fundaj (cinema da Fundação Joaquim Nabuco) e o tradicionalíssimo São Luiz (reaberto no início do ano). Antes as divisão ocorria entre Fundaj e cineteatro Apolo.

Outro aspecto importante a se destacar consiste nas diferenças entre a janela internacional de cinema do Recife e o cine PE festival: este é bem mais antigo (iniciado em 1997, então com o nome festival de cinema do Recife), possui um público diversificado (em meio a cinéfilos e profissionais da área, são comuns os “arroz de festa”, que muitas vezes passam mais tempo do lado de fora do cineteatro Guararapes que dentro dele), e se restringe a exibição de títulos nacionais (entre curtas e longas, ficção e documentário, animações e não-animações); aquele, por sua vez, é recente (está em sua terceira edição), possui um público menor (embora não seja exatamente pequeno – durante a primeira exibição de “Três homens em conflito” quase todos os 700 lugares do São Luiz foram ocupados) e mais específico, embora também alterne a exibição de longas e curtas, ficção e documentário, animação e não-animação, não se restringe à títulos nacionais, exibindo filmes de diversos países.

Terminado o singelo relato sobre a estrutura e o significado do evento, passemos às considerações acerca dos filmes exibidos que consegui assistir (fica aqui aberto o espaço para que outras pessoas escrevam sobre os filmes não contemplados neste texto, mas também para que escrevam sobre filmes por mim aqui mencionados); para tornar a leitura mais agradável e facilitar a localização, porei cada obra em destaque, na ordem em que as assisti. Antes de escrever minhas considerações pessoais, postarei as sinopses dos respectivos filmes (extraídas de um pequeno caderno que estava sendo vendido no evento por 5$) logo abaixo dos títulos, destacados em itálico e postos entre parenteses.


Três homens em conflito (El buono, il bruto, il cativo, Itália/ Espanha/ Alemanha 1966, de Sérgio Leone)

(Em meio à Guerra Civil Americana, três homens, Tuco, Blondie e Angel Eyes, fazem de tudo para colocar as mãos em 200 mil dólares roubados.)

Primeiro filme de Leone que assisti, “Três homens em conflito” foi-me uma grata surpresa. Embora a classificação western/ faroeste não lhe seja indevida, trata-se, ao meu ver, de uma meia-verdade, pois a obra flerta com gêneros diversos; é importante esclarecer que esta terceira parte da chamada “trilogia do dólar” não necessita de conhecimento das anteriores para ser entendida, já que se trata duma trilogia temática (pistoleiros em busca de dinheiro no velho oeste ou algo semelhante), e não duma trilogia cronológica (tanto que atores de um filme interpretam papeis diferente em outro). Além disso, ao contrário das partes anteriores, esta, a final, merece a alcunha de obra-prima, pois mostra um diretor com pleno domínio da matéria-prima da qual se utiliza. Este será um dos filmes aqui abordados que merecerá resenha específica posteriormente. Por fim, cabe salientar que a primeira sessão (exibida no São Luiz) foi um marco: as quase 700 pessoas que compareceram ao tradicional cinema pernambucano aplaudiram o clássico de Leone após seu término (que se aproximou de 3h de exibição). Sessão memorável aquela.


Janela molhada (PE, 2010, de Marcos Enrique Lopes)

(A história dos pioneiros do cinema pernambucano, os italianos Ugo Falangola e J. Cambieri, e a problemática da restauração de acervos do cinema mudo brasileiro.)

O nome Marcos Enrique Lopes (diretor deste filme) não me era estranho: após haver lido alguma coisa do filósofo pernambucano Evaldo Coutinho (falecido em 2007), e de ter pesquisado sobre sua vida (já que este, apesar de sua profundidade e originalidade, foi quase totalmente ignorado em vida, situação esta que persiste após sua morte), cheguei ao nome de Lopes, que em 2000/1 dirigiu o documentário “A composição do vazio” tendo o filósofo como tema. Não tive oportunidade ainda de assistir tal obra, de modo que “Janela molhada” foi minha primeira incursão no cinema de Lopes. Como dito na sinopse, o filme (documentário), trata dos primórdios do cinema em Pernambuco, bem como do resgate dessas primeiras obras. A menção a filme encomendados, que divulgavam ideologias dominantes me remeteu à “Cinema, aspirinas e urubus”, filme que mostra um alemão que vendia aspirinas no sertão nordestino durante a segunda guerra mundial, utilizando-se de um cinema improvisado para divulgar o produto (filme belíssimo!). Já a menção ao papel dos imigrantes na produção das primeiras obras cinematográficas em PE me remeteu ao filme “Baile perfumado”, já que nele se mostra a história de alguém que filmou o bando de Lampião com o consentimento deste (um turco, se não me engano). Dentre os clássicos dos primórdios da sétima arte em Pernambuco, foram citados os seguintes filmes: “Veneza americana”; “A filha do advogado”; “Sangue mineiro”; “Aiataré da praia” (para quem quiser aprofundar-se no assunto, indico o pequeno livro de Alexandre Figueroa, intitulado “Cinema pernambucano: uma história em ciclos”, que narra dos primórdios até o chamado cinema de retomada, que vai até o final dos anos 1990, início dos anos 2000, bem como – acabo de descobrir este livro agora, ao escrever este texto – “Relembrando o cinema pernambucano”, de Paulo Cunha, que trata do cinema em Pernambuco nas décadas de 1920 e 1930). Por fim, cabe mencionar (e apoiar) a fala de protesto de Lopes acerca das dificuldades de exibição (incluindo a crítica ao fato de não se ter incluído “Janela molhada” na edição deste ano do Cine PE; sobre isso, afirmo o seguinte: não é por tratar do cinema pernambucano que o curta de Lopes merecia estar no festival, mas por sua qualidade, até porque, em que pese a alta qualidade de alguns dos curtas exibidos no Cine PE deste ano, sem sombra de dúvidas assisti a alguns que considero flagrantemente inferiores ao de Lopes). Cabe salientar ainda que este curta, juntamente com outros (não sei quais), está sendo vendido em dvd (por 10,00) no cinema da Fundação (no térreo, ao lado da portaria), mas ainda não consegui comprar o meu (sempre encontro o local fechado ¬¬). Por fim (quase esqueço), destaco a fala de uma mulher da plateia, que conclamou o cineasta a não desanimar e desistir de “brigar” para conseguir exibições, já que ambos – o realizador e o público – sairiam perdendo. Intervenção deveras pertinente, mostrando que o debate, por vezes, mais que importante, é essencial.


Fantasmas (MG, 2009, de André Novais de Oliveira)

(O fantasma da ex.)

Filme curiosíssimo, mostra-nos um cenário de um posto de gasolina e suas imediações, complementado pela conversa de dois rapazes (que em momento algum aparecem); não é difícil perceber tratar-se duma câmera (mesmo antes que os diálogos confirmem a suspeita) e o desfecho é surpreendente, criativo e um tanto absurdo (e, no entanto, verossímil): ver para esquecer (se não deu para entender, assistam o filme; não fui mais específico para não estragar a possível surpresa). Cabe mencionar um fato curioso: em que pese a qualidade do filme, durante o debate com os realizadores dos curtas exibidos naquela sessão, o diretor de “Fantasmas” não conseguiu falar satisfatoriamente sobre seu filme; percebi timidez que o deixava desconfortável naquela exposição pública de sua pessoa.


Supermemórias (CE, 2010, de Danilo Carvalho)

(Mais uma memória para uma cidade sem lembranças... Um olhar sobre a cidade de Fortaleza – CE – Brasil – a partir de registros caseiros em super 8 das décadas de 60, 70 e 80. Este filme é fruto de uma manifestação da cidade no ato de doar suas memórias para uma poesia coletiva.)

Um filme bonito, que se vale de diversas (flagrantemente antigas) imagens de famílias na praia (mas em outros locais também), mas que me pareceu um tanto vago quando de sua exibição. Porém,

este filme se torna muito mais interessante quando nos é explicado do que se trata (a sinopse acima, que eu não lera antes de assisti-lo cumpre um pouco esta função, porém, foi a fala do diretor, pós exibição que tornou o filme mais interessante); trata-se de um verdadeiro “caleidoscópio afetivo” (são palavras dele), no qual se fundem imagens antigas de diversas famílias de Fortaleza, que as cederam ao cineasta, para compor a obra. O que as unifica? Justamente a temática de memória, somada a esta abordagem familiar (não recordo de imagens que mostrassem pessoas só).


Aeroporto (PE, 2010, de Marcelo Pedroso)

(Estarei partindo logo. É estranho pensar que esse tempo está acabando, as pessoas que conheci aqui parecem quase velhos amigos agora. Provavelmente, nunca mais vou vê-las. Um pensamento triste, mas acho, bem realista. A Austrália é tão longe do resto do mundo...)

Trata-se dum filme interessante, em certo sentido semelhante ao anterior (enfatizando as imagens em detrimento das palavras, ainda que estas não sejam inexistentes), mas, ao contrário daquele, aqui temos imagens novas, recentes e um espaço maior para depoimentos, ainda que a imagem prevaleça. As cores são fortes, belas e marcantes. No entanto, o que mais chamou-me atenção foram aspectos dos quais me apropriei de maneira muito pessoal: a idéia de que quem possui residência com pátio deseja prédio, como forma de segurança (isto me lembrou uma amiga que mora em SP e me relatava o quão inviável – por questões justamente de segurança – se tornou morar em casas naquela cidade); a contraposição de Brasília como utopia, e São Paulo como distopia; e aquilo que mais me envolveu: o início num pátio de aviões, mostrando-se uma mulher tomando café num aeroporto (situação na qual me vi pouco tempo antes de assistir ao filme e que por isso tornou-se bastante próxima para mim).


Por um punhado de dólares (Per um pugno dei dollar, Itália/ Espanha/ Alemanha 1964, de Sérgio Leone)

(Joe, um ex-sargento do exército da União, durante a Guerra Civil, dirige-se a San Miguel, um povoado na fronteira do México com os Estados Unidos, onde reina a confusão e abundam os bandidos e as viúvas. Neste povoado, duas famílias disputam a supremacia do território.)

Esta primeira parte da chamada “trilogia do dólar” de Leone corresponde a um típico filme western (faroeste), sem as grandes interpretações e sofisticações estéticas e narrativas de “Três homens em conflito” (terceira parte e disparado o melhor filme da trilogia). Trata-se do filme que tornou Clint Eastwood conhecido, consistindo numa adaptação ou releitura de “Yojimbo” (1961) de Kurosawa, substituindo o samurai do filme original por um pistoleiro do velho-oeste. Há algumas boas sacadas, como as belas paisagens naturais, o close nos pés de dois homens que duelam e algumas falas interessantes, como aquela em que o oportunista (quiçá ganancioso) protagonista afirma: “quando tem dinheiro um homem começa a gostar da paz”.


Copie conforme (Certified Copy, França/ Itália, 2010, de Abbas Kiarostami) Cópia fiel

(Essa é a estória do encontro entre um homem e uma mulher, em um pequeno vilarejo ao sudoeste de Toscana. O homem, um escritor britânico que acabara de dar uma palestra em uma conferência. A mulher, francesa, dona de uma galeria de arte. Essa é uma estória comum. Poderia acontecer com qualquer um. Em qualquer lugar.)

Tomei conhecimento do cineasta iraniano Abbas Kiarostami quando um amigo (cerca de 1 anos antes do evento em questão) gravou para mim “Gosto de cereja” (entre outros, os quais ainda não assisti ¬¬); li sobre o filme no livro “1001 filmes para ver antes de morrer” e cheguei até a encontrar um artigo sobre o cineasta na internet, mas só travei contato efetivo com sua obra ao assistir “Certified Copy” (traduzido, de maneira demasiado literal no folder do evento como “Copie conforme”, mas traduzido, de maneira mais apropriada nas legendas do próprio filme como “Cópia fiel”); trata-se de outro filme que merece uma resenha a parte; o que posso dizer resumidamente é que esperava um filme mais artístico e mais denso (acabei achando-o mais comum do que esperava), porém, gostei bastante dele e este aspecto “comum” parece antes um mérito do que um defeito, pois o filme não deixa de ser profundo e esteticamente belo (e também poético); no entanto, não há espaço para romance idealizado: vemos, isso sim, a dificuldade de entendimento entre um casal de meia idade que se respeita, se gosta, mas não se entende. Uma simplicidade aparente que “esconde” grande profundidade; um ótimo exemplo consiste em como pequenos detalhes fazem toda diferença para uma mulher, algo que é mostrado de forma simultaneamente sutil e contundente. Filmaço.


Não filme em três actos e um prelúdio (Portugal, 2010, de Rita Macedo)

(Um passeio conduzido por uma cabeça sem corpo, dois personagens invisíveis que têm pedras como corpos, uma cineasta sufocada por seu próprio filme e duas criaturas solitárias tipo Virgem Maria.)

É possível que o idioma (português de Portugal, muito próximo do brasileiro na escrita, mas bastante diferente na pronúncia) tenha atrapalhado significativamente minha apreciação do filme, que independentemente disso é hermético, experimental, mas o fato é que achei-o chato, pretensioso e nada consegui retirar dele (o que não significa que eu seja um detrator do hermético/ experimental em si).


Rech. Jf pour court métrage rémunére (Procuro garota para trabalho remunerado em curta metragem, França, 2010, de Manuel Schapira)

(Atriz que também trabalha na bilheteria de uma sala de cinema, responde a um anúncio de teste de elenco.)

Dando continuidade a sinopse, o que posso dizer é que a pretensa atriz encontra o diretor/ produtor e percebendo sua conversa fiada (ainda que ele pudesse realmente ser o que dizia e pretende-se de fato usa-la no filme, o fato é que o “fator cama” estava incluso no pacote). Ao contrário do anterior este filme nada tem de hermético, mas não entendi onde ele queria chegar, pois limita-se a retratar uma acontecimento cotidiano; não há crítica, apologia, reflexão acerca dele, apenas sua exposição, algo que remete ao documental, embora trate-se duma ficção. (Talvez seja baseado numa história real e tenha valor subjetivo para alguém...).


Amnesia (Rússia, 2009, de Cornelia Swann)

(Inspirado por uma série de TV e “Rebecca” de Hitchcock, o filme começa com uma heroína que descobre que seu marido é Pierce Brosnan. Ele dá pra ela um celular para que ela lembre do seu passado.)

Primeiramente, não consegui perceber absolutamente nada do que é dito nesta sinopse no filme; eis minha tentativa de descreve-lo: trata-se duma narrativa em que o narrador não aparece; cenas cotidianas (mar, pessoas, objetos) são mostradas e o que me parece ser o foco do filme é a questão: “o que é real?”. Achei-o um tanto hermético e me perdi em sua narrativa (seria esse o intuito?), mas não o achei aborrecido e pretensioso como o filme português de Rita Macedo acima comentado.


Masala mama (Singapura, 2010, de Michael Kam)

(Um garoto fascinado por super-heróis rouba uma revista de quadrinhos de uma pequena mercearia indiana (“mama shop”).)

O vendedor da mercearia acaba se convertendo no herói idealizado do garoto, constituindo uma espécie de mistura entre super-Mario e Robin; o filme é leve, divertido e curtinho.


Long live the new flesh (Vida longa à nova carne, Bélgica, 2009, de Nicolas Provost)

(Fragmentos de filmes de horror se consomem entre si. Uma nova história visual surge além do terror.)

Boa parte dos filmes “modificados” nesta curta me são completamente estranhos; talvez o mais famoso seja “O iluminado” que aparece – como todos os demais – de forma estilizada, uma imagem “derretendo” e originando outra, cores borradas, num verdadeiro mosaico caledoiscópico. Aparece também o filme Alien (não sei qual/ quais); a trilha sonora é potente, a intensidade e mistura das cores remete à pintura, numa imbricação entre o figurativo e o abstrato. Sendo estranho e envolvente, o filme pode ser satisfatoriamente descrito como uma psicodelia visual.


Por uns dólares a mais (Per qualche dollar in piu, Itália/ Espanha/ Alemanha 1965, de Sérgio Leone)

(Nos tempos em que valia mais um morto que um vivo, dois caçadores de recompensas: “O Manco” e o Coronel Mortimer. Rivais entre si a princípio, acabam se unindo para conseguir uma mesma presa, “O Índio”, um perigoso e sanguinário bandido pelo qual se oferece a mais alta recompensa conhecida.)

Na segunda parte da “trilogia do dólar” de Leone, há uma nítida evolução em todos os sentidos, a começar pelas atuações (o protagonista Eastwood é, sem dúvida, o mais fraco, mas o outro caçador de recompensa convence) e merece destaque ainda o atípico vilão de olhar perdido, que parece antes melancólico do que sádico. Penso que este esteja mais perto de “Por um punhado de dolares” que de “Três homens em conflito” (ou seja, constituindo antes um bom faroeste, do que uma obra-prima polivalente, travestida de faroeste mas transcendendo o gênero); no entanto, acredito que este segundo episódio ilustre bem a evolução que iria culminar no excepcional fechamento da trilogia. Frase marcante: “roubar é fácil, difícil é permanecer com o dinheiro”


Copo de leite (PE, 2004, de Jura Capela)

(Três mulheres conectadas pela música, pela água do mar, pela água doce e por um copo de leite.)

Trazendo Hermila Guedes como uma das protagonistas, o filme me pareceu vago demais; nada consegui apreender dele e limitei-me a apreciar o belo corpo parcialmente nu de outra das protagonistas, em belas cenas na praia.


Paranã-Puca “onde o mar se arrebenta” (PE, 2010, de Jura Capela)

(Documentário sobre o panorama das artes plásticas da capital de Pernambuco. O filme é uma pesquisa sobre os diversos grupos de arte e artistas da década de 1930 até os dias atuais. A narrativa mostra as várias situações econômicas e históricas que se passaram nestas décadas no Brasil. A pesquisa é baseada em artistas do Recife, localizado no nordeste brasileiro, mas os depoimentos refletem de uma forma direta a situação da arte contemporânea em todo o país.)

Trata-se de um longa rico naquilo que se propõe a mostrar, tendo como principal veículo para tanto, depoimentos de importantes artistas como Abelardo da Hora e Paulo Brucky; no caso do primeiro, destaco sua fala acerca da influência que Diego Reviera exerceu sobre os artistas plásticos no que concerne ao papel social da arte (em meados do século XX, pois Abelardo já é bastante idoso); Bruscky, por sua vez, possui perfil mais provocativo; entre suas afirmações está a de que no período da ditadura só se pensava por meio de provocação (pelo que eu entendi, sua perspectiva é a de que só se conseguiria acordar o “povão” de sua letargia mediante choques); proclamando-se artista conceitual, Bruscky afirma ter-se enveredado pelo funcionalismo público como forma de obter liberdade artística, sem ter de fazer concessões; afirmou ainda que a função do artista é deixar o testemunho de sua época; Gil Vicente também aparece no filme, mas não lembro se pessoalmente ou só em relatos de outro/s. Filme importante para melhor conhecer-mos a cultura pernambucana no âmbito das artes plásticas (ainda hoje não gozando do mesmo status que outros gêneros artísticos, salvo exceções).


Baptista virou máquina (de Carlos Dowling) filme concerto banda Burro Morto

(Entenda-se por trilha -visual o filme composto com base nas músicas e conceitos narrativos-sonoros provocadores iniciais, buscando uma sobreposição visual e imagética à sonoridade a ambivalência musical, resultando na busca de processo audiovisual integrado.)

A idéia era aliar o filme (que possui momentos de sonoridade própria) com músicas executadas ao vivo por uma banda (para mim, não sendo som e imagem produzidos simultaneamente, faria mais sentido a trilha ser composta para o filme e não o contrário, como a sinopse afirma ter ocorrido) pareceu-me flagrantemente mal sucedida. O filme se inicia com um homem trabalhando numa fábrica – ou algo similar – , adormecendo e enveredando por uma quase epopeia; um dos momentos que merece destaque é aquele onde ele adentrar uma espécie de bar/ boate vazia e liga uma junkebox; simultaneamente a banda recomeça a tocar (trecho particularmente vigoroso) e o protagonista se vê em meio a várias mulheres nuas, mas usando mascaras (daquelas que se usa quando vai sodar algo, para proteger a visão e o rosto), enquanto ele aparece sem a máscara (que usava no começo do filme); a medida que o enredo avança, fica-se cada vez mais confuso e surreal, mas não exatamente envolvente; a música, por outro lado (a cargo da banda Burro Morto) mostrou-se envolvente; prevalecendo o rock, com pitadas de progressivo e trechos mais pesados, o som exclusivamente instrumental dos caras se destacou em relação às imagens, ao invés de se fundir com elas (cabe salientar que tal opinião, de que a música foi melhor que as imagens, e de que estes dois aspectos não casaram como se pretendia, foi compartilhada por um amigo meu).


Desassossego (filme das maravilhas) RJ/CE/MG/SP, 2010 Karim Aïnouz

(Baseados em uma carta inspirada em um bilhete escrito por uma menina de 16 anos, quatorze cineastas do Rio, de Minas, do Ceará e de São Paulo, dirigiram os fragmentos de aventura, utopia e explosão reunidos neste filme. Terceira parte da trilogia Coração no Fogo.)

Quando assisti ao filme, não havia lido a sinopse, o que tornou o enredo vago, porém, no debate, realizado após a exibição, as informações tornaram-no um pouco mais compreensível; trata-se dum mosaico cinematográfico: diferentes cineastas gravaram suas respectivas partes e estas foram reunidas numa unidade fragmentária; cabe salientar que a versão exibida possuía 55 minutos, sendo a final terá 1:10, ganhando prólogo. Sendo difícil descrevê-lo em detalhes, cabe a cada um tentar assisti-lo (para mim, foi um filme a mais entre outros, sem destaques positivos ou negativos).


Poesia (Shi, Coréia do Sul, 2010, de Lee Chang-Dong)

(Mija vive com seu neto e uma cidade localizada nas encostas do rio Han. Por um acaso, ela acaba entrando em uma “aula de poesia” que acontece em um centro cultural na vizinhança e é desafiada pela primeira vez em sua vida a escrever um poema. Sua busca pela inspiração começa com uma observação do cotidiano da vida e da beleza que há nela, das coisas que acontece ao seu redor e que ela nunca havia reparado antes. Mija nasce novamente.)

Embora tivesse boa expectativa em relação ao filme (bem como ao cinema coreano como um todo), posso dizer que “Poesia” foi-me uma grata surpresa. Trata-se dum exemplo contundente de como a simplicidade e a sutileza podem render um resultado excepcional. A sinopse acima reproduzida retrata bem o enredo do filme, esquecendo de duas coisas importantes: simultaneamente à busca da protagonista pela poesia (por produzi-la), somos apresentados a vileza do mundo real: seu neto (mal educado, por ter sido mimado) praticou, juntamente com outros jovens, estupros a uma jovem que acabou se suicidando e para evitar que isso chegasse a público, os pais (ricos) dos outros garotos fizeram um alto acordo financeiro com a pobre camponesa mãe da garota; além disso, a protagonista descobre estar em estágio inicial de alzheimer (de modo que provavelmente, em alguns anos – ou meses! – não se lembrará da poesia buscada). No entanto, é justamente da beleza do mundo (flores, pássaros, a beleza das palavras nas poesias de outrem, bem como do cuidado, atenção e apreço dedicados a elas) que a protagonista irá se nutrir, não para escrever o poema, mas para acha-lo no coração, como diz numa de suas falas.


Alberto Bezerra de Abreu (novembro de 2010 – fevereiro de 2011)

sábado, 15 de janeiro de 2011

PostHeaderIcon Viajo porque preciso, volto porque te amo: estrada e solidão, saudade e reflexão









Além do título interessante, “Viajo porque preciso, volto porque te amo” possui outro atrativo de que me levou ao cinema: trata-se do fato de ser dirigido por Karim Aïnouz, responsável pelo ótimo “Madame Satã” e Marcelo Gomes, do excepcional “Cinema, aspirinas e urubus”. No entanto, é necessário dizer desde já que quem o assistir tendo em mente os filmes anteriores de seus diretores pode quebrar a cara. Trata-se de algo nitidamente diversos de ambos. E certamente menos palatável, ainda que não propriamente inferior.

O filme se inicia com a visão de uma estrada, assim como “Cinema, aspirinas e urubus”; só que se trata duma estrada asfaltada (uma BR) e a viagem se dá a noite, de modo que não conseguimos enxergar o horizonte mas apenas poucos metros a frente, até onde a luz do veículo ilumina. Mais a frente e a redor tudo é breu. Quando se mostra a estrada iluminada pela luz solar o cenário se assemelha ao daquele filme. A narrativa é lenta, simulando o percurso de uma viagem pelo agreste/ sertão nordestino; a monotonia se explicita também nas palavras do protagonista, falando consigo mesmo, ao afirmar que “a paisagem não muda”. Aliás, além do ritmo cadenciado, há uma outra peculiaridade no filme: o fato de que o protagonista (Irandhir Santos) jamais aparece: ouvimos apenas sua voz (em off). Momentos de silêncio prolongado e câmera fixa em alguma paisagem natural contribuem para tornar o filme (propositalmente) monótono. Definitivamente parece ter sido a intenção dos diretores fazer-nos sentir as coisas na pele do protagonista, até porque ao não aparecer, enxergamos as coisas através de seus olhos. Há ainda imagens desbotadas, desfocadas, remetendo à Glauber Rocha (o que já se dera no início de “Cinema, aspirinas...” com sua luz estourada.

O enredo é bastante simples: geólogo dirige um caminhão, fazendo monitoramento de lugares por onde futuramente passará um canal (provavelmente trata-se da transposição do Rio São Francisco, mas isso não é mencionado em momento algum), passando por diversas cidades do interior nordestino. Durante todo seu percurso lamenta a saudade de sua galega. O filme beira o documental: vemos um casal de idosos que terão a casa desapropriada para construção do canal; pedintes na estrada; prostitutas; paisagem rural e urbana. Após certa altura, revela-se uma reviravolta na motivação do personagem, que modifica o título da obra, afirmando para si mesmo: “Viajo porque preciso, não volto porque ainda te amo”.

Trata-se sem dúvida de um filme não convencional e um tanto hermético; seu final abrupto parece não esclarecer nada. Só consegui enxerga-lo como uma alegoria na qual o mergulho no mar, saltando de pedras altas corresponderia a um mergulho profundo e arriscado na vida. Como um recomeço ou purificação.

Absolutamente desaconselhável para quem procura puro entretenimento.


Alberto Bezerra de Abreu julho/agosto de 2010


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

PostHeaderIcon Melhores filmes de 2010: primeira lista

Educação
O profeta
Mother - a busca pela verdade
O segredo dos seus olhos
Como treinar seu dragão
A fita branca
Mary & Max: uma amizade diferente
Vincere



Antes de postar sobre o festival “Retrospectiva 2010, expectativa 2011”, realizado no final de 2010 na Fundaj, bem como minha lista pessoal de destaques cinematográficos do presente ano, esquentarei o terreno com a lista dos 10 melhores DVD's de 2010, segundo a revista Veja (esclareço que alguns ainda não foram lançados – mas a previsão é que o sejam no início do ano – e que nem todos são filmes, mas há também seriados, os quais serão aqui apenas mencionados, mas não comentados).

Um deles é “Educação” (Reino Unido, 2009, de Lone Scherfig, exibido por aqui na sessão de arte do multiplex Boa Vista); trata-se da história de uma jovem de 17 anos que, na Inglaterra, no início da década de 1960, que busca ingressar na vida adulta e por isso (ou será para isso?) se envolve com um rapaz mais velho (não assisti o filme, mas aparentemente a revolução sexual e comportamental não se iniciara, ou, ao menos, não atingira ainda seu ápice). Dois aspectos mencionados pela reportagem me pareceram particularmente interessantes: a afirmação de que os limites comportamentais das mulheres na época (limites estes testados e desafiados pela protagonista) se devem menos a moral e mais a sua condição financeira (recentemente assisti “Coco Chanel & Igor Stravinsky” e de fato a independência de Chanel se assenta em sua condição financeira privilegiada – conquistada por seu mérito, e não por herança, cabe frisar), bem como a afirmação de que poucas vezes a bandeira do feminismo fora levantada com tamanha sutileza e pertinácia.

Outro foi “O profeta” (França, 2009, de Jacques Audiard, exibido por aqui no festival Varilux do cinema francês, na Fundaj); se não estou enganado, quando fiquei sabendo da programação do festival por aqui não lembrava ter lido uma resenha positiva do filme nesta mesma revista; o mote daquele escrito é o mesmo da pequena indicação presente na Veja: ao ser preso, homem se filia a uma das facções do presídio e com isso se descobre, se afirma e prospera; seu progresso consiste então em tornar-se um profissional do crime.

Já “Mother – a busca pela verdade” (Coreia do Sul, 2009, de Joo-ho Bong) é um filme do qual não tinha ouvido falar (ao menos até onde lembro); segundo a breve resenha, trata-se da história de uma mãe que tenta defender o filho “intelectualmente atrasado” duma acusação de assassinato pautada em evidências inconclusivas, sendo a questão principal do longa (questão essa deveras interessante) a problematização do amor ilimitado, passível de transformar-se numa monstruosidade (me remeteu de leve ao filme também coreano “Poesia”).

Vencedor do Oscar 2010 de melhor filme estrangeiro, “O segredo dos seus olhos” (Argentina, Espanha, 2009, de Juan José Campanella), o filme argentino frequentou várias listas de “melhores de 2010” (farei outra postagem sobre o tema), e, constituindo um mistério policial que revisita uma ferida ainda aberta (no Brasil, a hipócrita anistia é pouco contestada), a ditadura militar da década de 1970 daquele país. O texto da revista é vago, e parece sugerir o filme mais pelo seu êxito, somado ao fato de constituir um representante de um vigor crescente do cinema argentino. Está na minha lista.

Outro do qual eu nunca ouvira falar, “Como treinar seu dragão” (EUA, 2010, de Dean DeBlois, Chris Sanders) é uma animação que cumpre todos os requisitos do gênero: personagens bem construídos, humor, ação, aventura e uso competente do 3D (posteriormente, algo me chamou atenção: na lista de vários críticos apareceu uma outra animação digital – bem mais famosa – mas não essa: “Toy story 3”; talvez o fato de terem optado por “Como treinar seu dragão”, somando-se a isso o fato de terem selecionado uma outra animação, “Mary e Max”, sendo esta não digital, tenha pesado para que esta lista de Veja tenha prescindido de “Toy story 3” que, de outra forma, certamente a integraria, até porque lembro-me bem que obra mereceu um número maior de página que a média, tendo sido bastante elogiado pela revista quando sua resenha foi nela publicada).

O filme “A fita branca” (Alemanha/ Áustria/ França/ Itália, 2009, de Michael Haneke, exibido por aqui no início do ano, no cinema da Fundação) foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano, que acabou ficando com o acima citado “O segredo dos seus olhos”; tive a oportunidade de assisti-lo e confesso que meu deleite pela belíssima fotografia em preto-e-branco foi proporcional a meu enfado com o enredo, mas tendo em vista não só a indicação a prêmios, mas comentários positivos outros, bem como o fato de tratar-se duma espécie de gênese distante do nazismo (eu não o percebi, de modo que devo tê-lo assistido muito dispersamente) fizeram-me ter grande curiosidade em revê-lo, desta vez com mais calma e sem elementos que me distraiam por perto. O fato é que, além de belo, o filme é profundo e conta com excelentes atuações; o problema é que me deixou entediado. Pretendo ainda em 2011 resenha-lo (a previsão é que seja lançado em DVD ainda em janeiro).

Outro dos filmes indicados na lista que tive oportunidade de assistir no cinema (mais uma vez a Fundaj),“Mary e Max” (Austrália, 2009, de Adam Eliot) é uma animação tradicional, valendo-se de bonecos de massa; estes, no entanto, são deveras expressivos, não só na construção de suas respectivas personalidades, mas também em suas fisionomias, retratadas com uma competência hipnotizante. Longe de ser uma obra voltada exclusivamente para o público infantil, parece-me inclusive ser uma obra para adultos que talvez possa agradar a algumas crianças. O tom depressivo é constante, mas a mensagem de amizade e de esperança tornam as coisas mais leves, sobretudo no final. (Obs. Resenhei este filme em julho de 2010).

Definido com uma espécie sopro renovador de vida num cinema aparentemente esgotado tematicamente (o italiano), “Vincere” (Itália/ França, 2009, de Marcelo Bellocchio) narra a história (real) de como o ditador fascistas Benito Mussolini se esforçou para apagar de sua biografia a existência de uma amante, bem como do filho que teve com ela. A ênfase que a indicação da revista dá a relação de um povo com sua história (bem como com as tentativas de falsifica-la), me remetem diretamente ao neo-realismo italiano, cinema de cunho eminentemente social do imediato pós Segunda Guerra; em certo sentido, este filme parece resgatar tal perspectiva, ainda que provavelmente deixando de lado a crítica da miséria e das desigualdades sociais enfocadas por aquele movimento (pois se o fizesse, certamente a Veja não o indicaria, considerando-o um fóssil esquerdista, dada a vertente nitidamente direitista da revista).

Completando a lista, foram indicados dois seriados “Glee” e “Sons of anarchy”, dos quais não me cabe falar aqui. Em breve, exporei e tecerei minhas considerações sobre as listas dos melhores filmes do ano na opinião de 9 críticos de cinema. Adianto que minhas discordâncias não são poucas.

As imagens estão na mesma ordem que os comentários sobre os filmes: a de cima corresponde a “Educação”, a de baixo a “Vincere” e assim sucessivamente. Bom fim/ início de ano a todos!


Alberto Bezerra de Abreu, dezembro de 2010.


About Me

Minha foto
Miradouro Cinematográfico
Alguém que escreve para viver, mas não vive para escrever; apaixonado pelas artes; misantropo humanista; intenso, efêmero e inconstante; sou aquele que pensa e que sente, que questiona e duvida, que escapa a si mesmo e aos outros. Sou o devir =)
Ver meu perfil completo
Tecnologia do Blogger.

Seguidores