sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PostHeaderIcon III janela internacional de cinema do Recife: um festival de gente grande

Três homens em conflito
Cópia fiel
Masala Mama
Poesia (Shi)



Escolhi iniciar meu texto sobre a III janela internacional de cinema do Recife relatando um fato curioso: a não muito tempo, percebi que na parte interna do banheiro masculino do cinema da Fundação Joaquim Nabuco havia um adesivo divulgando a II janela internacional de cinema do Recife; ora, era óbvio tratar-se dum festival de cinema, mas eu não o conhecia e fiquei especulando (ainda que não por muito tempo) que tipo de festival seria. Não tardou e pude conferir com meus próprios olhos (e ouvidos, e etc.) do que se tratava, pois de realizou-se na capital pernambucana a terceira edição do evento.

Pois bem, que posso eu dizer acerca do festival como um todo? Pela grande quantidade de filmes, pela duração extensa do evento (mais de uma semana), pela quantidade de público (pequeno em algumas sessões, mas bastante expressivo noutras) e pela qualidade e diversidade dos filmes, posso afirmar tratar-se dum festival de gente grande. Cabe salientar que a organização também foi boa, com exceção de tortuosa estadia nas salas de espera do São Luiz e do cinema da Fundação, que são locais bastante quentes.

Ao contrário das versões anteriores do festival (as quais não fui, mas fiquei sabendo através de pesquisa), dessa vez as exibições de dividiram entre a Fundaj (cinema da Fundação Joaquim Nabuco) e o tradicionalíssimo São Luiz (reaberto no início do ano). Antes as divisão ocorria entre Fundaj e cineteatro Apolo.

Outro aspecto importante a se destacar consiste nas diferenças entre a janela internacional de cinema do Recife e o cine PE festival: este é bem mais antigo (iniciado em 1997, então com o nome festival de cinema do Recife), possui um público diversificado (em meio a cinéfilos e profissionais da área, são comuns os “arroz de festa”, que muitas vezes passam mais tempo do lado de fora do cineteatro Guararapes que dentro dele), e se restringe a exibição de títulos nacionais (entre curtas e longas, ficção e documentário, animações e não-animações); aquele, por sua vez, é recente (está em sua terceira edição), possui um público menor (embora não seja exatamente pequeno – durante a primeira exibição de “Três homens em conflito” quase todos os 700 lugares do São Luiz foram ocupados) e mais específico, embora também alterne a exibição de longas e curtas, ficção e documentário, animação e não-animação, não se restringe à títulos nacionais, exibindo filmes de diversos países.

Terminado o singelo relato sobre a estrutura e o significado do evento, passemos às considerações acerca dos filmes exibidos que consegui assistir (fica aqui aberto o espaço para que outras pessoas escrevam sobre os filmes não contemplados neste texto, mas também para que escrevam sobre filmes por mim aqui mencionados); para tornar a leitura mais agradável e facilitar a localização, porei cada obra em destaque, na ordem em que as assisti. Antes de escrever minhas considerações pessoais, postarei as sinopses dos respectivos filmes (extraídas de um pequeno caderno que estava sendo vendido no evento por 5$) logo abaixo dos títulos, destacados em itálico e postos entre parenteses.


Três homens em conflito (El buono, il bruto, il cativo, Itália/ Espanha/ Alemanha 1966, de Sérgio Leone)

(Em meio à Guerra Civil Americana, três homens, Tuco, Blondie e Angel Eyes, fazem de tudo para colocar as mãos em 200 mil dólares roubados.)

Primeiro filme de Leone que assisti, “Três homens em conflito” foi-me uma grata surpresa. Embora a classificação western/ faroeste não lhe seja indevida, trata-se, ao meu ver, de uma meia-verdade, pois a obra flerta com gêneros diversos; é importante esclarecer que esta terceira parte da chamada “trilogia do dólar” não necessita de conhecimento das anteriores para ser entendida, já que se trata duma trilogia temática (pistoleiros em busca de dinheiro no velho oeste ou algo semelhante), e não duma trilogia cronológica (tanto que atores de um filme interpretam papeis diferente em outro). Além disso, ao contrário das partes anteriores, esta, a final, merece a alcunha de obra-prima, pois mostra um diretor com pleno domínio da matéria-prima da qual se utiliza. Este será um dos filmes aqui abordados que merecerá resenha específica posteriormente. Por fim, cabe salientar que a primeira sessão (exibida no São Luiz) foi um marco: as quase 700 pessoas que compareceram ao tradicional cinema pernambucano aplaudiram o clássico de Leone após seu término (que se aproximou de 3h de exibição). Sessão memorável aquela.


Janela molhada (PE, 2010, de Marcos Enrique Lopes)

(A história dos pioneiros do cinema pernambucano, os italianos Ugo Falangola e J. Cambieri, e a problemática da restauração de acervos do cinema mudo brasileiro.)

O nome Marcos Enrique Lopes (diretor deste filme) não me era estranho: após haver lido alguma coisa do filósofo pernambucano Evaldo Coutinho (falecido em 2007), e de ter pesquisado sobre sua vida (já que este, apesar de sua profundidade e originalidade, foi quase totalmente ignorado em vida, situação esta que persiste após sua morte), cheguei ao nome de Lopes, que em 2000/1 dirigiu o documentário “A composição do vazio” tendo o filósofo como tema. Não tive oportunidade ainda de assistir tal obra, de modo que “Janela molhada” foi minha primeira incursão no cinema de Lopes. Como dito na sinopse, o filme (documentário), trata dos primórdios do cinema em Pernambuco, bem como do resgate dessas primeiras obras. A menção a filme encomendados, que divulgavam ideologias dominantes me remeteu à “Cinema, aspirinas e urubus”, filme que mostra um alemão que vendia aspirinas no sertão nordestino durante a segunda guerra mundial, utilizando-se de um cinema improvisado para divulgar o produto (filme belíssimo!). Já a menção ao papel dos imigrantes na produção das primeiras obras cinematográficas em PE me remeteu ao filme “Baile perfumado”, já que nele se mostra a história de alguém que filmou o bando de Lampião com o consentimento deste (um turco, se não me engano). Dentre os clássicos dos primórdios da sétima arte em Pernambuco, foram citados os seguintes filmes: “Veneza americana”; “A filha do advogado”; “Sangue mineiro”; “Aiataré da praia” (para quem quiser aprofundar-se no assunto, indico o pequeno livro de Alexandre Figueroa, intitulado “Cinema pernambucano: uma história em ciclos”, que narra dos primórdios até o chamado cinema de retomada, que vai até o final dos anos 1990, início dos anos 2000, bem como – acabo de descobrir este livro agora, ao escrever este texto – “Relembrando o cinema pernambucano”, de Paulo Cunha, que trata do cinema em Pernambuco nas décadas de 1920 e 1930). Por fim, cabe mencionar (e apoiar) a fala de protesto de Lopes acerca das dificuldades de exibição (incluindo a crítica ao fato de não se ter incluído “Janela molhada” na edição deste ano do Cine PE; sobre isso, afirmo o seguinte: não é por tratar do cinema pernambucano que o curta de Lopes merecia estar no festival, mas por sua qualidade, até porque, em que pese a alta qualidade de alguns dos curtas exibidos no Cine PE deste ano, sem sombra de dúvidas assisti a alguns que considero flagrantemente inferiores ao de Lopes). Cabe salientar ainda que este curta, juntamente com outros (não sei quais), está sendo vendido em dvd (por 10,00) no cinema da Fundação (no térreo, ao lado da portaria), mas ainda não consegui comprar o meu (sempre encontro o local fechado ¬¬). Por fim (quase esqueço), destaco a fala de uma mulher da plateia, que conclamou o cineasta a não desanimar e desistir de “brigar” para conseguir exibições, já que ambos – o realizador e o público – sairiam perdendo. Intervenção deveras pertinente, mostrando que o debate, por vezes, mais que importante, é essencial.


Fantasmas (MG, 2009, de André Novais de Oliveira)

(O fantasma da ex.)

Filme curiosíssimo, mostra-nos um cenário de um posto de gasolina e suas imediações, complementado pela conversa de dois rapazes (que em momento algum aparecem); não é difícil perceber tratar-se duma câmera (mesmo antes que os diálogos confirmem a suspeita) e o desfecho é surpreendente, criativo e um tanto absurdo (e, no entanto, verossímil): ver para esquecer (se não deu para entender, assistam o filme; não fui mais específico para não estragar a possível surpresa). Cabe mencionar um fato curioso: em que pese a qualidade do filme, durante o debate com os realizadores dos curtas exibidos naquela sessão, o diretor de “Fantasmas” não conseguiu falar satisfatoriamente sobre seu filme; percebi timidez que o deixava desconfortável naquela exposição pública de sua pessoa.


Supermemórias (CE, 2010, de Danilo Carvalho)

(Mais uma memória para uma cidade sem lembranças... Um olhar sobre a cidade de Fortaleza – CE – Brasil – a partir de registros caseiros em super 8 das décadas de 60, 70 e 80. Este filme é fruto de uma manifestação da cidade no ato de doar suas memórias para uma poesia coletiva.)

Um filme bonito, que se vale de diversas (flagrantemente antigas) imagens de famílias na praia (mas em outros locais também), mas que me pareceu um tanto vago quando de sua exibição. Porém,

este filme se torna muito mais interessante quando nos é explicado do que se trata (a sinopse acima, que eu não lera antes de assisti-lo cumpre um pouco esta função, porém, foi a fala do diretor, pós exibição que tornou o filme mais interessante); trata-se de um verdadeiro “caleidoscópio afetivo” (são palavras dele), no qual se fundem imagens antigas de diversas famílias de Fortaleza, que as cederam ao cineasta, para compor a obra. O que as unifica? Justamente a temática de memória, somada a esta abordagem familiar (não recordo de imagens que mostrassem pessoas só).


Aeroporto (PE, 2010, de Marcelo Pedroso)

(Estarei partindo logo. É estranho pensar que esse tempo está acabando, as pessoas que conheci aqui parecem quase velhos amigos agora. Provavelmente, nunca mais vou vê-las. Um pensamento triste, mas acho, bem realista. A Austrália é tão longe do resto do mundo...)

Trata-se dum filme interessante, em certo sentido semelhante ao anterior (enfatizando as imagens em detrimento das palavras, ainda que estas não sejam inexistentes), mas, ao contrário daquele, aqui temos imagens novas, recentes e um espaço maior para depoimentos, ainda que a imagem prevaleça. As cores são fortes, belas e marcantes. No entanto, o que mais chamou-me atenção foram aspectos dos quais me apropriei de maneira muito pessoal: a idéia de que quem possui residência com pátio deseja prédio, como forma de segurança (isto me lembrou uma amiga que mora em SP e me relatava o quão inviável – por questões justamente de segurança – se tornou morar em casas naquela cidade); a contraposição de Brasília como utopia, e São Paulo como distopia; e aquilo que mais me envolveu: o início num pátio de aviões, mostrando-se uma mulher tomando café num aeroporto (situação na qual me vi pouco tempo antes de assistir ao filme e que por isso tornou-se bastante próxima para mim).


Por um punhado de dólares (Per um pugno dei dollar, Itália/ Espanha/ Alemanha 1964, de Sérgio Leone)

(Joe, um ex-sargento do exército da União, durante a Guerra Civil, dirige-se a San Miguel, um povoado na fronteira do México com os Estados Unidos, onde reina a confusão e abundam os bandidos e as viúvas. Neste povoado, duas famílias disputam a supremacia do território.)

Esta primeira parte da chamada “trilogia do dólar” de Leone corresponde a um típico filme western (faroeste), sem as grandes interpretações e sofisticações estéticas e narrativas de “Três homens em conflito” (terceira parte e disparado o melhor filme da trilogia). Trata-se do filme que tornou Clint Eastwood conhecido, consistindo numa adaptação ou releitura de “Yojimbo” (1961) de Kurosawa, substituindo o samurai do filme original por um pistoleiro do velho-oeste. Há algumas boas sacadas, como as belas paisagens naturais, o close nos pés de dois homens que duelam e algumas falas interessantes, como aquela em que o oportunista (quiçá ganancioso) protagonista afirma: “quando tem dinheiro um homem começa a gostar da paz”.


Copie conforme (Certified Copy, França/ Itália, 2010, de Abbas Kiarostami) Cópia fiel

(Essa é a estória do encontro entre um homem e uma mulher, em um pequeno vilarejo ao sudoeste de Toscana. O homem, um escritor britânico que acabara de dar uma palestra em uma conferência. A mulher, francesa, dona de uma galeria de arte. Essa é uma estória comum. Poderia acontecer com qualquer um. Em qualquer lugar.)

Tomei conhecimento do cineasta iraniano Abbas Kiarostami quando um amigo (cerca de 1 anos antes do evento em questão) gravou para mim “Gosto de cereja” (entre outros, os quais ainda não assisti ¬¬); li sobre o filme no livro “1001 filmes para ver antes de morrer” e cheguei até a encontrar um artigo sobre o cineasta na internet, mas só travei contato efetivo com sua obra ao assistir “Certified Copy” (traduzido, de maneira demasiado literal no folder do evento como “Copie conforme”, mas traduzido, de maneira mais apropriada nas legendas do próprio filme como “Cópia fiel”); trata-se de outro filme que merece uma resenha a parte; o que posso dizer resumidamente é que esperava um filme mais artístico e mais denso (acabei achando-o mais comum do que esperava), porém, gostei bastante dele e este aspecto “comum” parece antes um mérito do que um defeito, pois o filme não deixa de ser profundo e esteticamente belo (e também poético); no entanto, não há espaço para romance idealizado: vemos, isso sim, a dificuldade de entendimento entre um casal de meia idade que se respeita, se gosta, mas não se entende. Uma simplicidade aparente que “esconde” grande profundidade; um ótimo exemplo consiste em como pequenos detalhes fazem toda diferença para uma mulher, algo que é mostrado de forma simultaneamente sutil e contundente. Filmaço.


Não filme em três actos e um prelúdio (Portugal, 2010, de Rita Macedo)

(Um passeio conduzido por uma cabeça sem corpo, dois personagens invisíveis que têm pedras como corpos, uma cineasta sufocada por seu próprio filme e duas criaturas solitárias tipo Virgem Maria.)

É possível que o idioma (português de Portugal, muito próximo do brasileiro na escrita, mas bastante diferente na pronúncia) tenha atrapalhado significativamente minha apreciação do filme, que independentemente disso é hermético, experimental, mas o fato é que achei-o chato, pretensioso e nada consegui retirar dele (o que não significa que eu seja um detrator do hermético/ experimental em si).


Rech. Jf pour court métrage rémunére (Procuro garota para trabalho remunerado em curta metragem, França, 2010, de Manuel Schapira)

(Atriz que também trabalha na bilheteria de uma sala de cinema, responde a um anúncio de teste de elenco.)

Dando continuidade a sinopse, o que posso dizer é que a pretensa atriz encontra o diretor/ produtor e percebendo sua conversa fiada (ainda que ele pudesse realmente ser o que dizia e pretende-se de fato usa-la no filme, o fato é que o “fator cama” estava incluso no pacote). Ao contrário do anterior este filme nada tem de hermético, mas não entendi onde ele queria chegar, pois limita-se a retratar uma acontecimento cotidiano; não há crítica, apologia, reflexão acerca dele, apenas sua exposição, algo que remete ao documental, embora trate-se duma ficção. (Talvez seja baseado numa história real e tenha valor subjetivo para alguém...).


Amnesia (Rússia, 2009, de Cornelia Swann)

(Inspirado por uma série de TV e “Rebecca” de Hitchcock, o filme começa com uma heroína que descobre que seu marido é Pierce Brosnan. Ele dá pra ela um celular para que ela lembre do seu passado.)

Primeiramente, não consegui perceber absolutamente nada do que é dito nesta sinopse no filme; eis minha tentativa de descreve-lo: trata-se duma narrativa em que o narrador não aparece; cenas cotidianas (mar, pessoas, objetos) são mostradas e o que me parece ser o foco do filme é a questão: “o que é real?”. Achei-o um tanto hermético e me perdi em sua narrativa (seria esse o intuito?), mas não o achei aborrecido e pretensioso como o filme português de Rita Macedo acima comentado.


Masala mama (Singapura, 2010, de Michael Kam)

(Um garoto fascinado por super-heróis rouba uma revista de quadrinhos de uma pequena mercearia indiana (“mama shop”).)

O vendedor da mercearia acaba se convertendo no herói idealizado do garoto, constituindo uma espécie de mistura entre super-Mario e Robin; o filme é leve, divertido e curtinho.


Long live the new flesh (Vida longa à nova carne, Bélgica, 2009, de Nicolas Provost)

(Fragmentos de filmes de horror se consomem entre si. Uma nova história visual surge além do terror.)

Boa parte dos filmes “modificados” nesta curta me são completamente estranhos; talvez o mais famoso seja “O iluminado” que aparece – como todos os demais – de forma estilizada, uma imagem “derretendo” e originando outra, cores borradas, num verdadeiro mosaico caledoiscópico. Aparece também o filme Alien (não sei qual/ quais); a trilha sonora é potente, a intensidade e mistura das cores remete à pintura, numa imbricação entre o figurativo e o abstrato. Sendo estranho e envolvente, o filme pode ser satisfatoriamente descrito como uma psicodelia visual.


Por uns dólares a mais (Per qualche dollar in piu, Itália/ Espanha/ Alemanha 1965, de Sérgio Leone)

(Nos tempos em que valia mais um morto que um vivo, dois caçadores de recompensas: “O Manco” e o Coronel Mortimer. Rivais entre si a princípio, acabam se unindo para conseguir uma mesma presa, “O Índio”, um perigoso e sanguinário bandido pelo qual se oferece a mais alta recompensa conhecida.)

Na segunda parte da “trilogia do dólar” de Leone, há uma nítida evolução em todos os sentidos, a começar pelas atuações (o protagonista Eastwood é, sem dúvida, o mais fraco, mas o outro caçador de recompensa convence) e merece destaque ainda o atípico vilão de olhar perdido, que parece antes melancólico do que sádico. Penso que este esteja mais perto de “Por um punhado de dolares” que de “Três homens em conflito” (ou seja, constituindo antes um bom faroeste, do que uma obra-prima polivalente, travestida de faroeste mas transcendendo o gênero); no entanto, acredito que este segundo episódio ilustre bem a evolução que iria culminar no excepcional fechamento da trilogia. Frase marcante: “roubar é fácil, difícil é permanecer com o dinheiro”


Copo de leite (PE, 2004, de Jura Capela)

(Três mulheres conectadas pela música, pela água do mar, pela água doce e por um copo de leite.)

Trazendo Hermila Guedes como uma das protagonistas, o filme me pareceu vago demais; nada consegui apreender dele e limitei-me a apreciar o belo corpo parcialmente nu de outra das protagonistas, em belas cenas na praia.


Paranã-Puca “onde o mar se arrebenta” (PE, 2010, de Jura Capela)

(Documentário sobre o panorama das artes plásticas da capital de Pernambuco. O filme é uma pesquisa sobre os diversos grupos de arte e artistas da década de 1930 até os dias atuais. A narrativa mostra as várias situações econômicas e históricas que se passaram nestas décadas no Brasil. A pesquisa é baseada em artistas do Recife, localizado no nordeste brasileiro, mas os depoimentos refletem de uma forma direta a situação da arte contemporânea em todo o país.)

Trata-se de um longa rico naquilo que se propõe a mostrar, tendo como principal veículo para tanto, depoimentos de importantes artistas como Abelardo da Hora e Paulo Brucky; no caso do primeiro, destaco sua fala acerca da influência que Diego Reviera exerceu sobre os artistas plásticos no que concerne ao papel social da arte (em meados do século XX, pois Abelardo já é bastante idoso); Bruscky, por sua vez, possui perfil mais provocativo; entre suas afirmações está a de que no período da ditadura só se pensava por meio de provocação (pelo que eu entendi, sua perspectiva é a de que só se conseguiria acordar o “povão” de sua letargia mediante choques); proclamando-se artista conceitual, Bruscky afirma ter-se enveredado pelo funcionalismo público como forma de obter liberdade artística, sem ter de fazer concessões; afirmou ainda que a função do artista é deixar o testemunho de sua época; Gil Vicente também aparece no filme, mas não lembro se pessoalmente ou só em relatos de outro/s. Filme importante para melhor conhecer-mos a cultura pernambucana no âmbito das artes plásticas (ainda hoje não gozando do mesmo status que outros gêneros artísticos, salvo exceções).


Baptista virou máquina (de Carlos Dowling) filme concerto banda Burro Morto

(Entenda-se por trilha -visual o filme composto com base nas músicas e conceitos narrativos-sonoros provocadores iniciais, buscando uma sobreposição visual e imagética à sonoridade a ambivalência musical, resultando na busca de processo audiovisual integrado.)

A idéia era aliar o filme (que possui momentos de sonoridade própria) com músicas executadas ao vivo por uma banda (para mim, não sendo som e imagem produzidos simultaneamente, faria mais sentido a trilha ser composta para o filme e não o contrário, como a sinopse afirma ter ocorrido) pareceu-me flagrantemente mal sucedida. O filme se inicia com um homem trabalhando numa fábrica – ou algo similar – , adormecendo e enveredando por uma quase epopeia; um dos momentos que merece destaque é aquele onde ele adentrar uma espécie de bar/ boate vazia e liga uma junkebox; simultaneamente a banda recomeça a tocar (trecho particularmente vigoroso) e o protagonista se vê em meio a várias mulheres nuas, mas usando mascaras (daquelas que se usa quando vai sodar algo, para proteger a visão e o rosto), enquanto ele aparece sem a máscara (que usava no começo do filme); a medida que o enredo avança, fica-se cada vez mais confuso e surreal, mas não exatamente envolvente; a música, por outro lado (a cargo da banda Burro Morto) mostrou-se envolvente; prevalecendo o rock, com pitadas de progressivo e trechos mais pesados, o som exclusivamente instrumental dos caras se destacou em relação às imagens, ao invés de se fundir com elas (cabe salientar que tal opinião, de que a música foi melhor que as imagens, e de que estes dois aspectos não casaram como se pretendia, foi compartilhada por um amigo meu).


Desassossego (filme das maravilhas) RJ/CE/MG/SP, 2010 Karim Aïnouz

(Baseados em uma carta inspirada em um bilhete escrito por uma menina de 16 anos, quatorze cineastas do Rio, de Minas, do Ceará e de São Paulo, dirigiram os fragmentos de aventura, utopia e explosão reunidos neste filme. Terceira parte da trilogia Coração no Fogo.)

Quando assisti ao filme, não havia lido a sinopse, o que tornou o enredo vago, porém, no debate, realizado após a exibição, as informações tornaram-no um pouco mais compreensível; trata-se dum mosaico cinematográfico: diferentes cineastas gravaram suas respectivas partes e estas foram reunidas numa unidade fragmentária; cabe salientar que a versão exibida possuía 55 minutos, sendo a final terá 1:10, ganhando prólogo. Sendo difícil descrevê-lo em detalhes, cabe a cada um tentar assisti-lo (para mim, foi um filme a mais entre outros, sem destaques positivos ou negativos).


Poesia (Shi, Coréia do Sul, 2010, de Lee Chang-Dong)

(Mija vive com seu neto e uma cidade localizada nas encostas do rio Han. Por um acaso, ela acaba entrando em uma “aula de poesia” que acontece em um centro cultural na vizinhança e é desafiada pela primeira vez em sua vida a escrever um poema. Sua busca pela inspiração começa com uma observação do cotidiano da vida e da beleza que há nela, das coisas que acontece ao seu redor e que ela nunca havia reparado antes. Mija nasce novamente.)

Embora tivesse boa expectativa em relação ao filme (bem como ao cinema coreano como um todo), posso dizer que “Poesia” foi-me uma grata surpresa. Trata-se dum exemplo contundente de como a simplicidade e a sutileza podem render um resultado excepcional. A sinopse acima reproduzida retrata bem o enredo do filme, esquecendo de duas coisas importantes: simultaneamente à busca da protagonista pela poesia (por produzi-la), somos apresentados a vileza do mundo real: seu neto (mal educado, por ter sido mimado) praticou, juntamente com outros jovens, estupros a uma jovem que acabou se suicidando e para evitar que isso chegasse a público, os pais (ricos) dos outros garotos fizeram um alto acordo financeiro com a pobre camponesa mãe da garota; além disso, a protagonista descobre estar em estágio inicial de alzheimer (de modo que provavelmente, em alguns anos – ou meses! – não se lembrará da poesia buscada). No entanto, é justamente da beleza do mundo (flores, pássaros, a beleza das palavras nas poesias de outrem, bem como do cuidado, atenção e apreço dedicados a elas) que a protagonista irá se nutrir, não para escrever o poema, mas para acha-lo no coração, como diz numa de suas falas.


Alberto Bezerra de Abreu (novembro de 2010 – fevereiro de 2011)

sábado, 15 de janeiro de 2011

PostHeaderIcon Viajo porque preciso, volto porque te amo: estrada e solidão, saudade e reflexão









Além do título interessante, “Viajo porque preciso, volto porque te amo” possui outro atrativo de que me levou ao cinema: trata-se do fato de ser dirigido por Karim Aïnouz, responsável pelo ótimo “Madame Satã” e Marcelo Gomes, do excepcional “Cinema, aspirinas e urubus”. No entanto, é necessário dizer desde já que quem o assistir tendo em mente os filmes anteriores de seus diretores pode quebrar a cara. Trata-se de algo nitidamente diversos de ambos. E certamente menos palatável, ainda que não propriamente inferior.

O filme se inicia com a visão de uma estrada, assim como “Cinema, aspirinas e urubus”; só que se trata duma estrada asfaltada (uma BR) e a viagem se dá a noite, de modo que não conseguimos enxergar o horizonte mas apenas poucos metros a frente, até onde a luz do veículo ilumina. Mais a frente e a redor tudo é breu. Quando se mostra a estrada iluminada pela luz solar o cenário se assemelha ao daquele filme. A narrativa é lenta, simulando o percurso de uma viagem pelo agreste/ sertão nordestino; a monotonia se explicita também nas palavras do protagonista, falando consigo mesmo, ao afirmar que “a paisagem não muda”. Aliás, além do ritmo cadenciado, há uma outra peculiaridade no filme: o fato de que o protagonista (Irandhir Santos) jamais aparece: ouvimos apenas sua voz (em off). Momentos de silêncio prolongado e câmera fixa em alguma paisagem natural contribuem para tornar o filme (propositalmente) monótono. Definitivamente parece ter sido a intenção dos diretores fazer-nos sentir as coisas na pele do protagonista, até porque ao não aparecer, enxergamos as coisas através de seus olhos. Há ainda imagens desbotadas, desfocadas, remetendo à Glauber Rocha (o que já se dera no início de “Cinema, aspirinas...” com sua luz estourada.

O enredo é bastante simples: geólogo dirige um caminhão, fazendo monitoramento de lugares por onde futuramente passará um canal (provavelmente trata-se da transposição do Rio São Francisco, mas isso não é mencionado em momento algum), passando por diversas cidades do interior nordestino. Durante todo seu percurso lamenta a saudade de sua galega. O filme beira o documental: vemos um casal de idosos que terão a casa desapropriada para construção do canal; pedintes na estrada; prostitutas; paisagem rural e urbana. Após certa altura, revela-se uma reviravolta na motivação do personagem, que modifica o título da obra, afirmando para si mesmo: “Viajo porque preciso, não volto porque ainda te amo”.

Trata-se sem dúvida de um filme não convencional e um tanto hermético; seu final abrupto parece não esclarecer nada. Só consegui enxerga-lo como uma alegoria na qual o mergulho no mar, saltando de pedras altas corresponderia a um mergulho profundo e arriscado na vida. Como um recomeço ou purificação.

Absolutamente desaconselhável para quem procura puro entretenimento.


Alberto Bezerra de Abreu julho/agosto de 2010


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

PostHeaderIcon Melhores filmes de 2010: primeira lista

Educação
O profeta
Mother - a busca pela verdade
O segredo dos seus olhos
Como treinar seu dragão
A fita branca
Mary & Max: uma amizade diferente
Vincere



Antes de postar sobre o festival “Retrospectiva 2010, expectativa 2011”, realizado no final de 2010 na Fundaj, bem como minha lista pessoal de destaques cinematográficos do presente ano, esquentarei o terreno com a lista dos 10 melhores DVD's de 2010, segundo a revista Veja (esclareço que alguns ainda não foram lançados – mas a previsão é que o sejam no início do ano – e que nem todos são filmes, mas há também seriados, os quais serão aqui apenas mencionados, mas não comentados).

Um deles é “Educação” (Reino Unido, 2009, de Lone Scherfig, exibido por aqui na sessão de arte do multiplex Boa Vista); trata-se da história de uma jovem de 17 anos que, na Inglaterra, no início da década de 1960, que busca ingressar na vida adulta e por isso (ou será para isso?) se envolve com um rapaz mais velho (não assisti o filme, mas aparentemente a revolução sexual e comportamental não se iniciara, ou, ao menos, não atingira ainda seu ápice). Dois aspectos mencionados pela reportagem me pareceram particularmente interessantes: a afirmação de que os limites comportamentais das mulheres na época (limites estes testados e desafiados pela protagonista) se devem menos a moral e mais a sua condição financeira (recentemente assisti “Coco Chanel & Igor Stravinsky” e de fato a independência de Chanel se assenta em sua condição financeira privilegiada – conquistada por seu mérito, e não por herança, cabe frisar), bem como a afirmação de que poucas vezes a bandeira do feminismo fora levantada com tamanha sutileza e pertinácia.

Outro foi “O profeta” (França, 2009, de Jacques Audiard, exibido por aqui no festival Varilux do cinema francês, na Fundaj); se não estou enganado, quando fiquei sabendo da programação do festival por aqui não lembrava ter lido uma resenha positiva do filme nesta mesma revista; o mote daquele escrito é o mesmo da pequena indicação presente na Veja: ao ser preso, homem se filia a uma das facções do presídio e com isso se descobre, se afirma e prospera; seu progresso consiste então em tornar-se um profissional do crime.

Já “Mother – a busca pela verdade” (Coreia do Sul, 2009, de Joo-ho Bong) é um filme do qual não tinha ouvido falar (ao menos até onde lembro); segundo a breve resenha, trata-se da história de uma mãe que tenta defender o filho “intelectualmente atrasado” duma acusação de assassinato pautada em evidências inconclusivas, sendo a questão principal do longa (questão essa deveras interessante) a problematização do amor ilimitado, passível de transformar-se numa monstruosidade (me remeteu de leve ao filme também coreano “Poesia”).

Vencedor do Oscar 2010 de melhor filme estrangeiro, “O segredo dos seus olhos” (Argentina, Espanha, 2009, de Juan José Campanella), o filme argentino frequentou várias listas de “melhores de 2010” (farei outra postagem sobre o tema), e, constituindo um mistério policial que revisita uma ferida ainda aberta (no Brasil, a hipócrita anistia é pouco contestada), a ditadura militar da década de 1970 daquele país. O texto da revista é vago, e parece sugerir o filme mais pelo seu êxito, somado ao fato de constituir um representante de um vigor crescente do cinema argentino. Está na minha lista.

Outro do qual eu nunca ouvira falar, “Como treinar seu dragão” (EUA, 2010, de Dean DeBlois, Chris Sanders) é uma animação que cumpre todos os requisitos do gênero: personagens bem construídos, humor, ação, aventura e uso competente do 3D (posteriormente, algo me chamou atenção: na lista de vários críticos apareceu uma outra animação digital – bem mais famosa – mas não essa: “Toy story 3”; talvez o fato de terem optado por “Como treinar seu dragão”, somando-se a isso o fato de terem selecionado uma outra animação, “Mary e Max”, sendo esta não digital, tenha pesado para que esta lista de Veja tenha prescindido de “Toy story 3” que, de outra forma, certamente a integraria, até porque lembro-me bem que obra mereceu um número maior de página que a média, tendo sido bastante elogiado pela revista quando sua resenha foi nela publicada).

O filme “A fita branca” (Alemanha/ Áustria/ França/ Itália, 2009, de Michael Haneke, exibido por aqui no início do ano, no cinema da Fundação) foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano, que acabou ficando com o acima citado “O segredo dos seus olhos”; tive a oportunidade de assisti-lo e confesso que meu deleite pela belíssima fotografia em preto-e-branco foi proporcional a meu enfado com o enredo, mas tendo em vista não só a indicação a prêmios, mas comentários positivos outros, bem como o fato de tratar-se duma espécie de gênese distante do nazismo (eu não o percebi, de modo que devo tê-lo assistido muito dispersamente) fizeram-me ter grande curiosidade em revê-lo, desta vez com mais calma e sem elementos que me distraiam por perto. O fato é que, além de belo, o filme é profundo e conta com excelentes atuações; o problema é que me deixou entediado. Pretendo ainda em 2011 resenha-lo (a previsão é que seja lançado em DVD ainda em janeiro).

Outro dos filmes indicados na lista que tive oportunidade de assistir no cinema (mais uma vez a Fundaj),“Mary e Max” (Austrália, 2009, de Adam Eliot) é uma animação tradicional, valendo-se de bonecos de massa; estes, no entanto, são deveras expressivos, não só na construção de suas respectivas personalidades, mas também em suas fisionomias, retratadas com uma competência hipnotizante. Longe de ser uma obra voltada exclusivamente para o público infantil, parece-me inclusive ser uma obra para adultos que talvez possa agradar a algumas crianças. O tom depressivo é constante, mas a mensagem de amizade e de esperança tornam as coisas mais leves, sobretudo no final. (Obs. Resenhei este filme em julho de 2010).

Definido com uma espécie sopro renovador de vida num cinema aparentemente esgotado tematicamente (o italiano), “Vincere” (Itália/ França, 2009, de Marcelo Bellocchio) narra a história (real) de como o ditador fascistas Benito Mussolini se esforçou para apagar de sua biografia a existência de uma amante, bem como do filho que teve com ela. A ênfase que a indicação da revista dá a relação de um povo com sua história (bem como com as tentativas de falsifica-la), me remetem diretamente ao neo-realismo italiano, cinema de cunho eminentemente social do imediato pós Segunda Guerra; em certo sentido, este filme parece resgatar tal perspectiva, ainda que provavelmente deixando de lado a crítica da miséria e das desigualdades sociais enfocadas por aquele movimento (pois se o fizesse, certamente a Veja não o indicaria, considerando-o um fóssil esquerdista, dada a vertente nitidamente direitista da revista).

Completando a lista, foram indicados dois seriados “Glee” e “Sons of anarchy”, dos quais não me cabe falar aqui. Em breve, exporei e tecerei minhas considerações sobre as listas dos melhores filmes do ano na opinião de 9 críticos de cinema. Adianto que minhas discordâncias não são poucas.

As imagens estão na mesma ordem que os comentários sobre os filmes: a de cima corresponde a “Educação”, a de baixo a “Vincere” e assim sucessivamente. Bom fim/ início de ano a todos!


Alberto Bezerra de Abreu, dezembro de 2010.


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

PostHeaderIcon Um convidado bem trapalhão: etiqueta reduzida a espuma (homenagem a Blake Edwards, recentemente falecido)








Por acaso o nome Blake Edwards vos diz alguma coisa? Remete-lhes a algo? Confesso que a mim não, porém, como as vezes a imprensa serve para algo que não seja espalhar a demagogia, com o recente falecimento do dito cujo (em 15/12/2010), fui informado de quem ele foi. Entre os filmes por ele dirigidos, o único que me disse algo fora justamente aquele(s) no qual um mal-entendido fez-me perder a paciência quando guri: “A pantera cor-de-rosa”. Explico: trata-se duma série de filmes nos quais o famoso felino expresso em desenho animado aparece tão somente na abertura; eu, em minha ignorância infantil (estimulada pelo fato de que talvez o desenho meramente ilustrativo, ao ganhar vida própria – um desenho animado na TV - tenha-se tornando mais popular que os filmes que lhe deram origem), assisti a um dos filmes da série (não sei qual, talvez o primeiro), esperando ver o célebre felino animado; ao constatar, logo de início, não tratar-se duma animação, mas de filmes com atores reais, imaginei tratar-se de um híbrido entre cinema real, convencional, ou seja lá como queiram chamar, e animação, tal qual o longa “Uma cilada para Roger Rabbit” (1988). Porém, minha espera pelo aparecimento do felino rosado se mostrou vã, e, certa feita, desliguei o televisor, derrotado pelo enfado. Acontece que a pantera cor-de-rosa do título não era o felino rosado, mas um diamante roubado, de modo que o enredo da série nada tem a ver com o personagem do desenho animado, exceto o fato de sua “ponta” na abertura do longa ter-lhe aberto o caminho para o estrelato na televisão.

Voltando a Blake Edwards, embora tenha se celebrizado nas comedias, o cineasta foi versátil, tendo dirigido também dramas, musicais, faroestes e suspense. Entre seus filmes mais celebrados estão “Bonequinha de luxo” (1961), adaptação “suavizada” do romance de Truman Capote, que tornou Audrey Heppburn em estrela, tendo celebrizado ainda a canção “Moon River” (de Henry Mancini). Embora não só Edwards como também Jack Lemmon (seu ator favorito) tenham feito fama na comedia, a parceria dos dois no drama sobre alcoolismo “Vício maldito” (1962) também merece destaque, demonstrando a versatilidade de ambos. Em 1968, Edwards, retomou a parceria com o ator Peter Sellers (realizada em “A pantera cor-de-rosa” de 1963, e que seria retomada em filmes posteriores da série) na comédia “ Um convidado bem trapalhão”. Este será o filme resenhado no presente texto, mas antes, finalizarei o brevíssimo relato sobre o cineasta citando outras de suas obras que mereceram destaque nas fontes que consultei: “Mulher nota 10” (1979) “S.O.B.” (1981), iniciais de “Son of a bitch”, nosso famoso palavrão “filho da puta”, expresso em português pela sigla FDP, “Victor ou Victoria?” (1995), sua única indicação ao Oscar. Apesar de não tê-la vencido, foi agraciado com o prêmio em 2004, pelo conjunto da obra.

Passemos agora as considerações acerca do filme “Um convidado bem trapalhão”; porém, cabe antes disso, prestar alguns esclarecimentos: decidi redigir esta resenha como homenagem a Blake Edwards, recém falecido (também como forma de me informar mais sobre ele) e escolhi justamente este filme por já tê-lo em casa, ao contrário de “Bonequinha de luxo” e, sobretudo, “Vício maldito”, que me interessaram mais. De qualquer forma, a escolha do presente filme me propiciou duas coisas: resenhar, neste blog, uma das obras presentes na cinemateca Veja (pretendo resenhar todas – vide objetivos do blog – e este é o primeiro texto de um dos filmes da coleção que publico aqui); tecer comparações entre “Um convidado bem trapalhão” e um filme no qual ele se baseia nitidamente: “Meu tio” (por mim resenhado meses atrás

http://miradourocinematografico.blogspot.com/2010/06/meu-tio-satira-obsessao-tecnologica.html).

O título original da obra é “The party” (A festa), pois a maior parte de seu enredo (cerca de 90% ou mais) se passam numa festa chique, tendo como convidados personalidades ligadas ao cinema (atores consagrados, como o brutamontes bobo que faz papel de cowboy, aspirantes a esse posto, como a jovem por quem o protagonista se encanta, diretores, produtores, etc.); já em “Bonequinha de luxo” houvera uma cena em que uma festa se transformava num caos; em “Um convidado bem trapalhão” tal acontecimento se converte em mote, em aspecto central da trama, a qual se inicia com o protagonista (um ator indiano, interpretado por Peter Sellers) arruinando as filmagens de um filme, ao pôr seu pé sobre um detonador e mandar pelos ares um forte de verdade, que estava abandonado e seria explodido como parte da trama. Furioso, o diretor se encarrega não apenas de demitir o ator trapalhão, mas de cuidar para que este nunca mais consiga emprego na área. Ao ligar para um homem influente em Hollywood e lhe passar o nome deste ator a ser absolutamente vetado do meio artístico em questão, tal “chefão” comete o descuido de anotar o nome abaixo duma lista de convidados para uma festa em sua casa.

Assim, por negligência, o castigo se converte em recompensa e o protagonista chega na festa dirigindo seu peculiar carro de três rodas. Já na entrada, perde seu sapato numa espécie de fonte e passa poucas e boas até recupera-lo. O filme é repleto de gags (piadas visuais, como nas comedias pastelão – ou próximas disso – do cinema mudo), as mais engraçadas sendo aquelas relacionadas a um painel em que cada botão acionado causa algum transtorno (referência direta ao já mencionado filme “Meu tio”). Porém, na minha opinião pessoal, o grande momento do filme (e que justifica assisti-lo para além de uma simples curiosidade histórica) é o ápice do caos, da anarquia, da balburdia, ou da diversão levemente (ou nem tanto) fora de controle em que se converte uma festa programada para transcorrer dentro dos padrões de etiqueta das classes abastadas dos EUA. É particularmente interessante como de pequeno incidente em pequeno (ou nem tanto) incidente, chega-se a uma situação quase (ou de fato?) fora de controle. Porém, é necessário salientar que a chegada a tal estado não é obra exclusiva de nosso convidado trapalhão, mas conta com a colaboração decisiva da filha do anfitrião, que chega com uma gangue, digo, grupo de jovens amigos, trazendo um filhote de elefante pintado com diversos slogans (eles são hippies ou algo semelhante). Ao criticar tal postura, por ser o elefante um animal sagrado em seu país, o protagonista sugere que lavem o filhote e para isso pegam alguma espécie de sabão que, despejado na fonte/ piscina, espalha a espuma pela casa inteira (uma cena particularmente cômica é aquela em que a banda de jazz – muito da trilha do longa é deste gênero musical e cabe aqui enfatizar a célebre trilha de “A pantera cor-de-rosa” do mesmo diretor – tocando de maneira impassível, enquanto a espuma cobre seus respectivos instrumentos e a eles mesmos). Outro destaque cômico é o garçom que, a cada recusa do protagonista em relação as bebidas que aquele lhe oferece, escolhe uma delas e a bebe, ficando assim embriagado e competindo com o ator indiano em termos de protagonismo de confusões.

Em que pese as risadas que este filme arranca, penso que “Meu tio” é uma comedia superior, além de flertar com o neo-realismo italiano, ao mostrar cenas de localidades mais humildes, tendo assim um (leve) apelo social; além disso, esteticamente (vide, por exemplo, a bela cena inicial dos cachorros vira-latas numa rua de paralelepípedos) o filme possui alguma sofisticação, aproximando-se assim da arte, ao contrário de “Um convidado bem trapalhão”, que constitui uma comedia em sentido estrito, uma obra escapista com intenções puramente de entretenimento. Dessa forma, considero o filme franco-italiano, superior não só como obra em geral, mas também no âmbito específico da comedia. E para aqueles que quiserem ver um desempenho marcante do protagonista Peter Sellers, aconselho a obra-prima (uma comedia de humor negro de Stanley Kubrick) “Dr. Fantástico”, na qual Sellers interpreta nada menos que três personagens.

Em suma, nem a comedia nem Sellers justificam, para os cinéfilos exigentes, a necessidade de se assistir “Um convidado bem trapalhão”; os aspectos que fundamentam esta necessidade são 1) o conhecimento histórico (quem é cinéfilo acaba se interessando por assistir alguns filmes que não lhe despertaram interesse apenas para poder dizer “assisti àquele filme famoso e não gostei por isso, isso e isso” ao invés de dizer o famoso “não vi e não gostei”, sem contar que todo filme célebre, por mais injusta que seja tal celebridade, deve ter algo que se aproveite); 2) a deliciosa confusão na qual a festa se transforma, algo sem precedentes na história das comedias, até onde sei (pois quando chega-se neste estágio, não só o protagonista, mas a maior parte dos personagens adere à bagunça =).

Na primeira foto de baixo para cima temos o diretor Blake Edwards, o homenageado desta postagem.



Alberto Bezerra de Abreu, dezembro de 2010


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

PostHeaderIcon Deixa ela entrar: revitalização do gênero filme de vampiros numa história em que a poesia transcende o horror










Contrariando o critério norteador das resenhas de filmes até então por mim redigidas para este blog (o de tê-los assistido pelo menos duas vezes), empreendo alguns comentários sobre “Deixa ela entrar” (Let the right one in, Suécia, 2008, dirigido por Tomas Alfredson), ao qual assisti em janeiro de 2010 no cinema da Fundação Joaquim Nabuco (Recife). Meu primeiro contato com a obra se deu através de uma resenha no jornal Diário de Pernambuco (eis o link

http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/01/02/viver7_0.asp), mas apesar desta ter me despertado algum interesse, não foi o suficiente para que eu tivesse realmente vontade de assisti-lo (no entanto, acabei indo por outros motivos somados a este...). Apesar de ter lido sobre o filme, não criei grandes expectativas (nem positivas nem negativas) acerca dele e isso parece ter sido fundamental para a grata surpresa que tive.

A primeira questão a se colocar é a seguinte: o que mais um filme sobre vampiros pode acrescentar de relevante? Bem, este e “Entrevista com o vampiro” são os únicos filmes sobre vampiro que assisti que não se baseiam diretamente na obra de Bram Stoker (parece-me haver a seguinte regra: filmes intitulados “Drácula”, como o de Coppola se inspiram fielmente na obra de Stoker, enquanto filmes intitulados “Nosferatu”, como os de Murnau e Herzog constituem livres adaptações, ainda que fiéis ao original, mas sem buscar reproduzi-lo em seus mínimos detalhes). Os dois filmes primeiramente citados não se baseiam em Stoker e, em minha opinião, são superiores aos filmes que o fazem, em se tratando de caracterização vampiresca. Exploram, a meu ver, com maestria a fragilidade como contraponto das habilidades sobre-humanas de tais criaturas. Em ambos há a questão de alguém tornado vampiro ainda na infância, temática deveras interessante (a qual põe a seguinte questão: até que ponto tais indivíduos conseguiriam ingressar na idade adulta?).

Eis o enredo: Eli e Oskar são dois pré-adolescentes que iniciam uma amizade peculiar; ambos – cada um a seu modo – são solitários. Ele é alvo constante de agressões de valentões da escola, ela é uma vampira! (mas de início ele não sabe disso). Assim, cada um em seu respectivo exílio encontra no outro um bálsamo. Ela (por motivos óbvios) põe-se na defensiva, mas acaba se rendendo à delicadeza do garoto. A terna relação entre eles, tendo como pano de fundo uma cidade coberta de neve, retratada através duma belíssima fotografia adquire contornos poéticos tocantes. O filme cresce, aos poucos, vai-nos envolvendo paulatinamente, a relação entre os dois jovens constituindo o tema central da obra. Evidentemente, tal relação remete necessariamente à natureza vampiresca de Eli, que vai se revelando aos poucos a Oskar. Um dos destaques da obra é a renúncia: no final do filme descobrimos (ou ao menos temos a certeza) de que Oskar irá substituir o senhor que “cuidava” de Eli, e com isso percebemos que este outrora desempenhava o papel que Oskar então desempenha. Eis um amor que se contenta tão somente com a companhia do outro. Pelo menos para mim, o verdadeiro significado da devoção daquele senhor pela garota só fica claro a medida em que a relação entre ela e Oskar se intensifica.

No entanto, se parece evidente que o diretor não evidencia apenas Eli (Oskar não é de forma alguma um mero coadjuvante), não posso negar que o que mais me interessou no filme em termos de discussão (travadas como uma espécie da rascunho para uma posterior resenha com a pessoa que me acompanhou na exibição de tal filme) trata essencialmente da condição vampiresca e será este o prisma privilegiado no restante do presente texto. Eis então algumas questões que coloquei a respeito desta temática numa discussão via e-mail:

1) a questão do viver ou morrer; Eli diz a Oskar, quando este a censura por matar, que precisa fazer isso. De fato, para viver ela precisa fazê-lo, mas o suicídio é sempre opção para um ser racional. Não sei se a opção do Louis (“Entrevista com o vampiro”), de se alimentar de ratos é verossímil em outras “interpretações” acerca da natureza vampiresca (se poderiam se alimentar do sangue de qualquer ser vivo, ou mais especificamente, de qualquer mamífero). Neste caso poder-se-ia criar animais, não ratos, mas porcos, cavalos, cães, enfim. Seria simples. Mas tendo de ser humanos, poder-se-ia selecionar as vítimas (me peguei pensando nisso: eu, me tornando vampiro, quereria a imortalidade? Não seria demasiado chato não morrer nunca, e pior, ver todas as pessoas que amo falecerem e eu permanecer infinitamente? Acredito que sim, mas certamente eu passaria ao menos algum tempo utilizando meus “super-poderes” para me divertir e quiçá fazer justiça; adoraria chupar todo o sangue de um parasita como Sarney, por exemplo; por outro lado, ao pensar que teria toda a eternidade para ler os clássicos da literatura, da filosofia, assistir centenas ou mesmo milhares de ótimos filmes, ficaria tentado a ir prorrogando a imortalidade...). Voltando, ainda que ela precise matar, há uma escolha: ela pode matar-se e não matar outrem. É fácil? Não creio, no entanto, é possível. Outra coisa, no caso da mulher mordida por Eli, seu suicídio seria opção ou efeito colateral? Numa cena ela afirma que foi contaminada pela garota. Meus parcos conhecimentos vampirescos são de que se o vampiro não suga o sangue da vítima até seu falecimento, esta se torna vampiro; no entanto, haverá diferença em faze-lo propositalmente ou sem-querer ? (Eli o fez sem querer – foi impedida de continuar – e talvez por isso a mulher não conseguisse aceitar sua “nova natureza”). Vale salientar que o repúdio à luz do sol e o inconveniente de entrar num recinto sem ser convidado são apreendidos instintivamente pelo vampiro, isso fica claro no comportamento da mulher.

2) a questão do instinto; é célebre em filmes de vampiro a cena em que um humano se corta (normalmente sem querer) e o dentuço perde a compostura; no “Nosferatu” de Herzog, o vampiro chupa o dedo do convidado, e diz ser para o bem dele, mas a maneira afoita, esfomeada mesmo que ele o faz desmente esta sua intenção. Isso me suscitou algumas questões: a atração pelo sangue é incontrolável? (normalmente, um humano não avança daquele jeito na comida, por mais apetitosa, a não ser se estiver a dias sem comer); tal ímpeto alimentar se dá mesmo que o vampiro esteja bem alimentado (tenha se alimentado há pouco?); até onde é possível se controlar? Achei a cena do “Deixa ela entrar” duplamente inverossímil; primeiro, porque se ela sabia de sua fraqueza, devia ter fugido logo que viu o sangue escorrer (ela poderia faze-lo, já que o fez depois); além disso, não faz sentido p/ mim ela ter dito para ele correr/fugir, quando ela que o devia ter feito (pois era ela quem sabia do perigo, não ele); tanto é assim que ele não correu e ela teve de fazer o que eu sugeri desde o início.

3) A dúvida do motivo dos gatos terem não apenas “se armado” para a mulher tornada vampira por Eli (o que me pareceria normal, já que animais parecem ter uma maior sensibilidade que os humanos para captarem coisas do “além”), mas a atacado (e em bando!). A questão do ataque me parece deveras estranha (de novamente, inverossímil), pois em geral, quando um gato ameaça atacar se arrepiando, ele está na realidade se sentindo ameaçado (o fato de arrepiar-se serve justamente para que ele pareça maior, o que aconteça quando um gato encontra um cachorro ou um gato hostil – já presenciei ambas as situações), diferentemente de quando ele “ameaça” um dono chato que lhe está importunando (neste caso ele não se arrepia – e também já vivenciei tal situação=). De modo que o comportamento esperado seria a hostilidade dos animais, mas não o seu ataque (a não ser que a insegurança da mulher em relação a sua nova condição tenha-lhe tornado particularmente frágil – não imagino os gatos saltando em Eli, e se por acaso o fizessem, ela, no mínimo os jogaria longe).

Para finalizar, destacado dois dos momentos mais marcantes da película: a cena da piscina, na qual Eli literalmente despedaça os algozes de Oskar é belíssima, mas aquela que dá nome ao filme é realmente incomparável em termos de beleza. Aliás, cabe aqui uma breve reflexão sobre o sentido do título: remetendo a “Cinema, aspirinas e urubus”, cabe salientar que há filmes que vão além do puro entretenimento sendo cheios de significados profundos, expressos inclusive em seus respectivos nomes. No caso de “Deixa ela entrar”, sem dúvida não se trata apenas da maldição vampírica, podendo ser interpretado também no sentido metafórico de, ele – o humano – deixar que ela – a vampira – entre em sua vida, ainda que na verdade seja ela quem possui ressalvas quanto a relação, visto que ele terá muito a dar e pouco a receber. De qualquer forma, me recuso a enxergar no título uma menção exclusiva a tal maldição, ainda que a cena em questão seja de um primor irretocável. E cabe salientar ainda que, até onde lembro, não sabia o que aconteceria se um vampiro entrasse numa residência sem ser convidado; imaginava que eles não conseguissem, como se houvesse uma barreira invisível. Até onde sei, nenhum outro filme mostra este tipo de resultado, o qual, por si só, já vale o filme. Além da beleza estética, há a beleza poética, estando ambas imbricadas durante todo o filme. Belíssimo; surpreendente, quiçá tocante.

Em tempo: “A hora do espanto” é outro filme sobre vampiros não inspirado em Stoker o qual assisti, mas faz tanto tempo que até me esqueci de sua existência.

Dedico esta resenha a Isabele “Tinúviel”, minha companheira de sessão e interlocutora virtual das questões acima enumeradas.


Alberto Bezerra de Abreu (janeiro/abril de 2010)



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

PostHeaderIcon Expectativa 2011/ Retrospectiva 2010 na Fundaj: prato cheio de ótimos filmes recentes


A vida cinematografica recifence anda movimentada nas ultima semanas; apos a III Janela Internacional de cinema do Recife, em meados de novembro, e da edição 2010 do Festival de Vídeo de Pernambuco (ambos aqui divulgados e a serem por mim resenhados em breve), realiza-se, desde a semana passada, a Expectativa 2011/ Retrospectiva 2010 no cinema da Fundação Joaquim Nabuco. O evento, que começou no dia 3 de dezembro e irá até o dia 16 deste mesmo mês (próxima quinta-feira) não me atraiu muito em sua primeira semana ("Mary & Max" eu já havia assistido; "Toy Story 3" não, e apesar de meu desejo, não pude vê-lo nesta exibição para os retardatários, de modo que limitei-me, nesta primeira semana, a assistir "Filme Socialismo", do sempre desafiador Godard).

Porém, ao abrir o jornal no sábado a tarde, pouco tempo após acordar (o enfado de fim de ano me fez dormir das 2h da madrugada de sexta para sábado até as 14:20 deste último), meu olhos brilharam ao ver que seria exibido "Vício frenético", filme estrelado por Nicolas Cage e dirigido pelo talentosissimo cineasta alemão Werner Herzog. Duplamente imperdível, não só pela qualidade do "homi", mas por eu haver perdido quando passou ano passado (saiu de cartaz muito rápido). Como soube já em cima da hora, não deu tempo de postar nem avisar a ninguém.

Ainda no sábado, uma amiga me disse ter ouvido coisas boas do filme "Hanami: cerejeiras em flor" e após assisti-lo, justamente no festival em questão, endossou o elogio; após afirmar que o filme seria re-exibido, fui a site da Fundaj e tive a grata surpresa de ver que outros filmes interessantes também serão exibidos no festival; entre eles o faladíssimo "Tropa de elite 2" (que estou tentando assistir a algum tempo, mas sempre ocorre algum emprevisto ¬¬), bem como o clássico "Dona flor e seus dois maridos" (para quem não sabe, este filme foi por mais de 20 anos o filme brasileiro recordista de bilheteria, sendo tal recorde quebrado justamente por "Tropa de elite 2"). E mais: esses dois serão exibidos no mesmo dia. Empolgado com a notícia, resolvi divulgar aqui a programação completa da segunda semana do evento. Ei-la abaixo. Para maiores detalhes,

http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=455&date=currentDate
Além dos filmes citados, destaco o excelente "
Deixa ela entrar" (fiz uma resenha dele e com esta nova exibição, é possível que a poste nos próximos dias) e, para quem perdeu o Festival e Vídeo de Pernambuco deste ano, aconselho a sessão Curta PE (dois destes foram exibidos no festival).


Boas sessões.


Alberto Bezerra de Abreu.


Segue a programação:



Segunda, 13 dezembro

16h30 – Homens em Fúria

(Stone, EUA, 2010) De John Curran. Com Robert De Niro, Edward Norton, Milla Jovovich.

18h30 – Minhas Mães e Meu Pai

(The Kids Are Alright, EUA, 2010), de Lisa Cholodenko. Com Julianne Moore, Annette Benning, Mark Ruffalo.


20h30 – Morte e Vida Severina

(Brasil, PE, 2010) Animação de Afonso Serpa. Com vozes de Gero Camilo, André Ríccari, Vanda Phaelante, Lívia Falcão, Eduardo Japiassu, João Augusto Lira, Jones Melo, Fábio Caio, Vavá Schön.

Terça, 14 de Dezembro

17h50 – Tropa de Elite 2: O Inimigo agora É Outro

(Brasil, 2010) De José Padilha. Com Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Maria Ribeiro, Milhem Cortaz, Tainá Müller.


20h10 – Dona Flor e Seus Dois Maridos

(Brasil, 1976), de Bruno Barreto. Com Sônia Braga, José Wilker, Mauro Mendonça.

Quarta, 15 dezembro

16h10 – Deixa Ela Entrar

(Låt den Rätte Komma In, Suécia, 2008), de Tomas Alfredson. Com Kåre Hedebrant,
Lina Leandersson.

18h20 – Sede de Sangue

(Bakjwi, Japão, 2009), De Chung Seo-kyung, Park Chan-wook. Com Song Kang-ho, Kim Ok-vin, Kim Hae-sook.


20h40 – Terra Deu, Terra Come

(Bra., 2010) De Rodrigo Siqueira.


Quinta, 16 de Dezembro


16h – Atraídos pelo Crime

(Brooklin Finest, EUA., 2009), De Antoine Fuqua. Com Richard Gere, Ethan Hawke, Don Cheadle, Wesley Snipes, Lili Taylor, Ellen Barkin.


18h15 – Hanami: Cerejeiras em Flor - (2ª exibição)

(Kirschblüten: Hanami, Alemanha, 2008). De Doris Dörrie. Com Elmar Wepper, Hannelore Elsner. Seleção oficial de Berlim 2008. 126 min. / Filmes da Mostra / Inédito / Digital / 14 anos.


20h30 – A nova safra de curtas metragens pernambucanos

- O Monstro da Várzea

De André Pinto

ficção, cor, digital, 3 min., PE, 2010

- O Ano Passado em Itamaracá

De German Ra

ficção, cor, digital, 15min., PE, 2010

    -My Way
    direção: Camilo Cavalcante. Com Marisa Santanafessa, João Eduardo, Asaias Zaza, Soraya Silva, Henrique Viana Brandão, Hugo Coutinho, Aninha Martins
    ficção, cor, digital, 7min, PE, 2010

    - Café Aurora
    direção: Pablo Polo
    ficção, cor, 35mm,19min, PE, 2010

    - Acercadacana
    direção: Felipe Peres Calheiros
    documentário, cor, 35mm, 19min58, PE, 2010




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Alguém que escreve para viver, mas não vive para escrever; apaixonado pelas artes; misantropo humanista; intenso, efêmero e inconstante; sou aquele que pensa e que sente, que questiona e duvida, que escapa a si mesmo e aos outros. Sou o devir =)
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